segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Celular – O Ramster Moderno

Telefone celular tem curta vida até menos que um gato e um cachorro. Posso comparar com o sopro de vida de um ramster. Em casa tivemos um que não durou meses. Mas a curta vida do nosso tamagotchi moderno é o sinal de liberdade, já que estamos tapados, e nossa vida entrou na laia do fim. Nós dependemos de algo que na verdade nunca precisaríamos depender.
Não, não mate o seu celular. Ele ainda é útil para encontrar lugares, comunicar-se com mais facilidade com as pessoas que conhece e ainda anunciar os seus trabalhos (trabalhos!) Nas redes sociais. Mas, para mim, essa parafernália toda cansa a mente nas coisas erradas, como aqueles livros de desenhos inúteis que as mulheres cansadas usam nas tardes do “não sei o que fazer”. A Juliana, personagem de Eça de Queirós em “O Primo Basílio” também tinha esses enfados, então mergulhava no nada dos livros românticos no estilo Sabrina – isso deu asas para seu pecado – e a consequência não foi nada boa. O celular é essa Sabrinada também.
Esses dias meu celular quebrou na entrada de carregamento. Ok, “mini USB”. Eu sou aquela pessoa que tem o bicho de estimação até que ele morra de velhice, e não deu outra com esse pobre velho de poucos Gigas. Quando vi que eram suas últimas forças, mandei mensagem aos necessários, e deixei ele padecer no leito da gaveta. Fiquei tão feliz, queria tanto matar aquele Whatsapp de alguma maneira, e por mais que ele me ajudasse a anunciar meus textos, aquilo cansava. E o pior, não conseguia me desligar daquilo.
Então, morreu, aleluia!
Um sentimento muito bom pairou em mim. Não queria outro celular de cara, e fui anunciando minhas crônicas por outros meios. Por mim, não teria outro. Talvez nem tenha esse ramster que corre e corre em sua roda e não leva o sujeito a lugar nenhum, e pior, leva consigo a todos nós.
  Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração

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