segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Pedra no Caminho, Papel Pautado e Joquempô

No meio do meu caminho havia uma pedra, tinha uma barreira no meu caminho literário. Havia uma muralha! Nunca me esquecerei dessa luta diante do enredo. Nas minhas vistas com dois graus diferentes, um estrábico e outro míope, não vou me esquecer que diante de mim, naquela época de escola, havia uma folha quadrada e pautada e uma única e sempre presente sentença: "Um gato está sentado no tapete”, E dali em diante, o que seria?
A professora tirava do armário aquele bolo de folhas quadradas, lançando cada folha em cada carteira como a cartada final de um jogo, agora vocês perderam, jovenzinhos. Ela entregava sua deixa, narrem sobre as férias, sobre a vida, sobre o que vocês quiserem.
Então, vinha um gato em minha mente. O caramba do gatuno que dormia no tapete e só. O felino safado como todo igual que nem se move por 16 horas porque precisa recompor as forças porque a caçada aos ratos seria uma epopeia da gataria.
Eu não pensei em tudo isso. Eu apenas imaginava o bicho deitado no tapete e esperando o mundo desabar numa encosta. O leite do lado, a vida tosca da outra. Mas também não pensei em tudo isso. A imagem não saíra daquele retângulo do tapete do gato elipsado, chamando-me para dizer além. A pequena estória e eu fomos crescendo juntos, lado a lado junto ao frio na espinha, uma agonia pequena de não sair da folha quadrada. Eu era o gato deitado no tapete. Eu elipsava em meu senso criativo.
Com o tempo, a pedra diante de mim, a barreira, a muralha ficou retangular, e eu descobri que o fim do quadrado literário era a porta, que em cada linha foi sendo quebrado, formando a nova estorinha do gato no tapete...
O gato no tapete em seus sonhos de telhado encontrou-se com o cachorro da vizinha e eis a confusão. Na beirada do caminho, o gatuno, arrepiado e expondo todos os seus canivetes nos dentes e nas garras, foi encurralado pelo cachorro risonho da vizinha, a ordinária, que o soltou para arrepiar a gataria. Pela direita e pela esquerda, o gato não tinha saída, pois o cachorro como uma garota saltitante com seu vestido gracioso pulava de cá para lá, e tudo que via era uma grande treta. Vou perder pelos, tempo de sono e a autoestima de felino - seus últimos pensamentos. Todos os outros gatos se ajuntariam nos outros telhados para lamber suas patinhas fechadas e depois de tanta lambança, ergueriam-as no "Hu! Hu! Hu! Meow! O MMA vai começar!". Canalhas, covardes, independentes. Vou servir de exemplo a todos esses tolos, e eu, tão tolo como eles, andei no caminho do cachorro feliz.
Mas, de repente, maior que o próprio cachorro, a Mulher Maravilha da casa apareceu ao som do miado do já perdedor gato que partiria para a Glória dos Bichanos, pairar sobre nuvens em forma de novelos e pequenos ratinhos. Ah, seria a sua sentença por tanto eliminar ratinhos podres e indefesos e nojentos que não são o Jerry.
- Ôh, menininho, venha aqui... - A Mulher Maravilha pegou-o e o colocou seguro entre os braços poderosos com seus broqueis e foi para a casa, botando o próprio gato no retângulo sofá. O gato sinuoso de vida. A sua aventura termina por aqui. Até a próxima, bicharada...
Pronto, professora. Gostaria muito de te entregar meu texto depois de anos. Foi demorado, eu sei, anos de vida e frio na espinha.
Não me esquecerei que havia uma pedra no meu caminho, na minha escrita havia uma pedra... mas havia um papel quadrado e pautado também, e no Joquempô ganhei no elipsar da mesma folha.
 Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração

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