segunda-feira, 18 de julho de 2016

Sobre o Zachary

Assim que sai do culto da tarde, ainda o sol raiava, fui atravessar a Mission Street e me deparei com um rapaz numa cadeira de rodas na primeira via a atravessar, esperando o farol abrir, pois ainda existia outras, já que era canal para a Highway 1. Ele inclinava-se na sua cadeira de rodas elétrica e se voltava para mim como um desesperado. Quando me aproximei, o seu celular havia caído entre a sarjeta e a via. Olhei primeiro para os lados para não perder a cabeça, peguei e entreguei a ele.
E na descida até o DownTown, fui conversando com aquele rapaz que me disse ter sido cristão, desviou-se, e depois de um tempo voltou a andar com Deus. Sempre viveu na cidade, e seu apartamento ficava na avenida mais movimentada e apreciada da cidade.
- Então seu nome é Zachary, como o nome do profeta.
- Sim, e eu gosto desse profeta.
Num outro dia, encontrei-o de novo andando naquela avenida. Pacata e agitada e ao mesmo tempo opressa. Conversamos sobre “spiritual gifts” que são os dons que Deus manifesta na terra e tem usado os homens. Disse que Deus ainda manifesta todos aqueles e eles estão ligados à nossa fé; que Deus poderia usá-lo ali naquela mesma avenida, e poderia apenas oferecer uma oração, e todo o contínuo pertencia ao Senhor.
- Não, eu não sou batizado – ele disse.
- Então ore por isso. Deus é simples. Peça a Ele que o batize no Espírito Santo para que Ele manifeste esses dons. Eu e você vamos ser usados nessa avenida.
E assim declaramos.
Porém, todas as outras vezes que encontrei o Zachary, a cadeira de rodas elétrica prevalecia. A minha impressão era exatamente aquela. Uma Pacific Avenue e oculto nela uma pacific life nas questões de intensidade com Deus. Não tem como fazer pão se primeiro não separamos os ingredientes, depois juntamos tudo, amassamos e, logo depois das surradas, botar no forno. Pães são feitos na força gerada no momento que tornamos tudo uma coisa só; depois, o fogo, e finalmente, a obra.
Sentei no fundo da igreja, ele mal ouviu a Palavra que uma moça pregava com intensidade sobre o Reino dos céus, e quem pegasse aquela deixa, faria de um grão de mostarda um arbusto grandioso. Mas o Zachary não pegou. Ele estava do lado de fora próximo a batente da entrada. Depois, dirigiu sua cadeira até, talvez, o Abbey Cafe, que fica no prédio ao lado da igreja. Depois de tempos, ele entrou, ouviu um pouco do que a moça falava, e nem permitiu que a revelação se concluisse. Não sei para onde, esse Zachary. Foi embora?
Como ele foi parar na cadeira de rodas, nem perguntei. Não interessa também. Já passou. Mas o que interessa para o agora é justamente a chuva de pão daquele dia, que cai sobre cadeirantes e pessoas com pernas saudáveis.
Sobre o Zachary, eu só tenho a pensar que a oportunidade dos céus pode cair das nossas mãos, como o celular daquele rapaz. Não conte com a Vandressa vindo, uma pessoa nem sempre vai passar por ali.

Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Hoje Só Teremos Salada

Não. Hoje não vou escrever nada para vocês. Não quero que degustem um bife cheio de nervos e com uma gordura tão sebosa que não sai do céu da boca. Isso nunca vai sair de dentro de ti, e o pior, pode entupir as suas veias.
Eu recuso-me a preparar qualquer coisa para ti. Vamos comer uma salada de poucos parágrafos, fatiados em poucas sentenças, orações e frases e salpicado com boas e poucas palavras.
A vida saudável das palavras torna-nos mais incríveis.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Sem Condições. Eu Sempre Serei.

Eu sou crente, vou ser para sempre e não tem a mínima condição de deixar de ser! Sinta como se eu gritasse isso para você. Para você entender, uma vez fiz um negócio louco com Deus. Eu escrevi o nome Dele na minha mão, e Ele também escreveu “Vandressa” em sua mão, como um lembrete. Assim nós timbramos o quanto eu sou Dele e Ele é meu. Então entenda: Quem é sempre será, mesmo que esteja no Polo Norte pescando bacalhau ou passando pelo Vale da Sombra da Morte no fim do mundo. Afirmo isso porque estou longe demais do Brasil, da minha igreja, do convívio intenso que tinha por lá. Quem uma vez respirou o ar dos céus sempre procurará “ruah”.
Não, aqui não há igrejas de intensas adorações por horas e horas quando o relógio no teu pulso marca mais de 5 horas de adoração, tendo a incrível sensação que foram minutos. Por aqui se fala de manifestações dos céus, mas como o terão com cultos de uma hora e meia? E, desculpe-me se você não entende isso, pois só adoradores entenderão. O momento de adorar aqui é como se você colocasse um lollypop na boca de uma criança e o arrancasse antes dela acabar de degustar. No vale árido da adoração, eu mesma faço o meu altar aos céus. Quando ando por essas ruas, no sobe e desce do declínio de um bairro para o Downtown, do trajeto até o Pacifico, daqui e acolá, não tem a mínima condição de deixar de adorar. Se minha boca se apega ao paladar e nada falo, tudo se enche dentro de mim, como um grito que quero dar. É hora de esvaziar-se. É hora de repor o “ruah”.
Acreditem em seus jovens, igreja. Acreditem em seus pássaros porque eles são de Deus. Acreditem naqueles que adoraram, que adoram, e que nunca deixarão de adorar. Aqui o sol brilha, pois, aquele dia se aproxima. E ele virá. Que eu seja pega por Ele sempre adorando, rejeitando o mundo, desprezando os papos pequenos, as rejeições dentro e fora da igreja, que é tão pequeno e fica bem alojado debaixo dos meus pés... Ah! Tudo isso é tão pequeno quando eu adoro, e volto a repetir, e por isso não tem a mínima condição de deixar de ser Dele. O que duvidam, o que um dia duvidaram de mim, conjecturas humanas de quem não tem o que adorar, vai adorar, meu amor! Tudo é nano perto de um adorador.
Eu descobri que posso ir para qualquer lugar do mundo que meu peito vai arder por Ele. Sorry caso não entenda. Essa é a melhor sensação que um ser humano pode ter! Portanto, céus e terra aqui também se unirão, porque por onde eu for, eu serei Seu altar.
Se você se encheu desse papo, vá para a próxima crônica. Não tem a mínima condição de deixar isso, e o meu berro é a escrita.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração