segunda-feira, 18 de abril de 2016

Deus foi Generoso na Dança das Cadeiras

Deus é generoso demais. Tão que quando pronunciamos tal atributo nem fazemos ideia que Ele é muito mais do que a nossa imaginação pode manufaturar. Eu descobri isso numa oportunidade estranha, não que não soubesse... É que Deus ali se manifestou até com muita graça.
Era um culto na minha igreja. O templo estava lotado, e o louvor ressoava cânticos que não nos deixavam ficar quietos ou sentados. O grande problema, e sempre muito bom, era que não havia mais lugares para sentar.
Eu e uma amiga, que é branca e vermelha como no Trovadorismo, ficamos no fundo da igreja, aguardando a oportunidade da introdução nos conduzir a algum assento, e naquela altura seria num canto bem apertado com um irmão mais largo e nada sorridente.
Ali em nosso aguardo, percebemos a dificuldade, mas não deixei de pronunciar para ela:
- Deus é generoso.
Enfim, aquele lugar apertado, longe uma da outra, surgiu.
Porém, aconteceu uma movimentação dos céus. As cadeiras de repente se espalharam, as pessoas também, e aquela senhora foi tocada por Deus, e não importa como. Sabe quando passamos o pé na fileira de formigas no chão e todas elas se bagunçam tão tontas em si mesmas? Foi o que aconteceu ali. No esfriar da situação cada um sentou onde pode, e quando fomos perceber... Eu e minha amiga sentamos um do lado da outra! Pronunciamos juntos:
  - Deus é generoso! – E rimos como ninguém.
Até hoje rimos disso em cada situação complicada. Uma olha para a outra, e na graça diz “Deus é generoso!”.
Vou dizer o que é ser generoso. Li um texto sobre o amigo importuno lá na Bíblia e vou contar à minha maneira. Era a historia de um homem chato pra cacilda que de noite foi bater na porta de um camarada pra pedir pão. O amigo poderia ser sincero, não? Diria logo para o importunista ter Semancol que seus filhos já estavam na cama, poxa, e não era possível atende-lo. Mas, por ser tão amigo e seu "parça" tão mala, ele daria o bendito pão para ele. Deus é muito mais que esse pai generoso, e O é em excesso! 
Se naquela noite, só de pronunciar a generosidade Deus foi daquela maneira, imagine no restante da vida! Eu dou risada todas às vezes ao lembrar, e contínuo a declarar:
- Deus é excessivamente generoso.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

A Nota "C"

Na minha época da escola, quando ainda chamávamos de primário as portas do saber, nas escolas estaduais de São Paulo as notas eram classificadas de A à E. O “A” era a ascensão a cânone. O “B”, ainda era tachada de inteligente, e quem o tirava, chorava por não ter chegado ao topo. O “C” era a ainda azul à beira do abismo, sinal que existia salvação para os condenados. Mas o “D” e o “E” era condenação total, as notas vermelhas do desastre escolar.
Por qual motivo estou falando disso? Oras, porque no fundo sempre estive na nota C. Não por ser ruim, mas porque no fundo sempre precisei de Deus, e nela Ele manteve-me por várias e várias vezes como sinal de superação.
Eu estava na terceira série. A classe inteira precisava de libertação, e para alcançar sossego, a professora lançou um desafio: quem ficasse mais quieto, ganharia uma pequena calculadora, um modelinho quase que de carteira. Somente eu e mais uma menina que costumava ficar epiléptica na sala éramos as mais quietas, mas por um vacilo por olhar para o lado, perdi a chance da calculadora.
Na quinta série, eu só perdia para uma pequena nissei que era impossível de superar porque nossos japoneses são melhores que os outros. Eu estudava à tarde, mas pela manhã frequentava um tipo de creche de meio período que nos dava auxilio escolar, alimentação e recreação. Eu havia feito uma prova de matemática na escola e tirei “C” porque a metade dos exercícios eu não consegui terminar. A professora entregou-me a prova decepcionada com uma das CDFs da sala. Eu entristeci, mas pedi ajuda a uma das tias da creche que entendia de Matemática. Na segunda prova, “gabaritei”. A professora não expressou sorrisos, mas orgulhou-se pela superação.
Para o “A”, sempre precisamos do próximo. Alguém para nos ajudar.
No final do quinto ano, tirei “A” apenas em Inglês, e todo o resto “B”. Entretanto, nos outros anos de escola, lutei, em verdade vos digo, e por mais que tentasse, o “C” perseguia-me.
Eu era burra? Não, aquilo era ensinamento dos céus.
Após crescer e me formar, vi uma reportagem numa revista que explanava sobre os alunos da nota “C”. Uma das entrevistadas, uma como eu, beirou essa nota por toda a sua vida escolar, mas na hora de prestar vestibular, conquistou o sim da medicina. Quem esperava? O “C” superava!
O “C” é a limitação do eu, o não ser deus de nada, é a mais pura dependência dos céus. Se tudo posso Naquele que me fortalece, que seja sempre no “C”, e nunca no “E”.
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.