segunda-feira, 28 de março de 2016

O "Challenge"

O que Abraão viveu por um momento de sua vida, de sair do meio de sua parentela e ir para uma terra desconhecida, talvez eu saiba, enfim, o que ele viveu. Já desmontei a minha tenda várias vezes, mas desfazer da tenda e puxar o carro, essa é nova para mim.
Não pense que me entristeço. Nasceu um desafio. Todas as coisas em que me apegava, apagaram-se como pó e tudo que eu quero, é ir. Não há medo. Olha o desafio.
A aparência disso é como se eu pudesse pular de um abismo para o outro no Grand Canyon, pegar um barril e saltar o Niagara, ou mergulhar profundo como nunca mergulhei.
Não há medo, meu amor.
Então, vi-me na trilha. Eu não vi o que estava adiante de mim. Um anjo, com um galho comprido na mão traçou para mim um caminho a seguir. Aquele caminho que não via, aonde não havia caminho, ele pegou uma enxada e foi abrindo para eu passar. Então veio o refrigério, aquele mesmo vento geladinho que nos veste como uma camisola num dia quente de verão.
Eu estou no “challenge”.
Para bem falar, nessa trilha muito louca, tenho só um par de botinhas, uma lata de energético e um belo sorriso nos lábios pintados com um batom rosa mate, para arrasar.
Ah! Mas você não sabe! Quem disse que não vou levar bagagem? Tem um monte dentro de mim. Essa não é a primeira trilha da minha vida, nem serás a última.
Nessa jornada a correr, eu só posso ouvi-lo por detrás de mim, quer seja à esquerda ou à direita:
“Esse é o caminho. Andai por ele”.

Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Apenas Uma Oração

No dia em que estava viajando para o Rio de Janeiro de férias, entrei no vagão do metrô na estação Santana toda atrasada para o voo, esbaforida pelo calor que me machucava. Encostei a mala pequena de rodinha nas pernas, coloquei a mochila em cima e aguardei meu destino. Um homem entrou no vagão. Suas pernas inchadas feito um elefante, pedinte como os outros, insistia com dificuldade. Não dava para disfarçar aquela perna, a não ser que o maquiador fosse de Hollywood. Ele aproximou-se de mim, pediu-me uns trocados...

Há alguns anos, quando ainda usávamos bilhetes de papel para pegar ônibus, um casal à la Vida Seca me abordou na subida ao terminal de Santana.
- Moça, pode nos arranjar uns trocados?
Peguei minha bolsa, peguei dois passes de ônibus, e estendi ao homem. Mas, antes que ele pegasse, disse:
- Mas antes eu quero falar sobre o Deus que pode ajudar vocês.
O homem se inquietou. iRado, murmurou “tchá, passa o passe...”.
Eu retraí o braço. Olhei no fundo dos seus olhos, e o olhar dele passou de indignado para “ferrou”. Eu disse-lhe:
- Você não precisa desse passe. – E fui embora.

Eu voltei meu olhar para aquele homem da perna inchada. Eu não tinha muita coisa para dar, a não ser que ele quisesse ir ao Rio de Janeiro! Não, não... Ele queria algo muito mais que um passeio.
- Ei, moço, eu não tenho nada para te dar, mas o meu Jesus, Ele sim pode fazer algo por ti.
O metrô não estava vazio. Pessoas olharam para o cara da perna inchada e a menina da camisa do Santa Cruz Warriors.
- Posso orar por você?
Oração ninguém nega, meu querido. Todos sabem do seu poder. Aquele rapaz se encostou à barra de metal, e me olhou com sinceridade:
- Sim, eu quero.
Não importa como foi minha oração. Ah, não importa. Das duas situações Deus quis se manifestar com tanto amor que a oportunidade para todos era única. E de alguma forma, Deus falou.

Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração.