quarta-feira, 15 de abril de 2015

O juke box ambulante

Quando fui para Nova Iorque pela primeira vez, a cidade inteira me lembrava New York, New York de Frank Sinatra. Na segunda vez, a trilha sonora se transformou em Take five de Dave Brubeck. O mesmo lugar transformou-se totalmente não pelo ambiente, mas pelos ares vividos naquele instante, mudando de uma vez o que posso chamar de repetição. O lugar pode ser o mesmo, mas a música tem que mudar.
Antes mesmo que escandalize os irmãos, digo que minha música preferida é aquela que não tem parte com o outro. Se tiver, meus ouvidos incomodam-se, como se a música soltasse seus ares, mostrando de onde ela vem. O meu exemplo é só exemplo.
Por onde passo, a música tem que mudar. Sendo a mesma, tudo é batido. Já foi. É um verdadeiro hit, a paradinha do sucesso que logo vai ser esquecida, sinto muito, rapaz. Posso ir a uma cidade duas vezes, mas as visitas precisam ser diferentes.
A música que sai de um servo de Deus não é bem música. É um som silencioso que não precisa de palavra alguma para descrever. Os que passam por ele sentem algum aroma diferente. Passando esse de novo, logo mais, vai ter outro som com gosto novo, aperfeiçoado, autêntico, e o juke box ambulante tocando o som dos céus.
O servo, o tal juke box ambulante, emite a trilha sonora silenciosa. Nem ele sabe qual é a música que tocará, pois quem escolhe as músicas é o Criador. E lá vai o som agradável que até surpreende o aparelho que só serve para servir... e principalmente, fazer o mundo inteiro dançar.
Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração