quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Um pé no oriente e outro no ocidente – Uma aventura turca – Parte 3

Não pense você que essas crônicas são para falar das viagens, de comidas, de lugares novos, ou de qualquer outro lugar passageiro dessa terra. Esse apenas é o meu cenário. Vai pensando que a vida e só deleite desse jeito. Aquele que e guiado pelo Espirito de Deus não vê apenas um lugar como simples lugar de passeio, e sim um lugar de missão. Tudo se torna missão, torna-se propósito, torna-se motivo de intercessão. Não de forma religiosa que em momentos inoportunos e sem falta de senso se manifesta. Não. O que é do céu se manifesta de forma louca e desfaz toda religiosidade; é autêntico. Por isso, tanto ímpios quanto justos testificarão o ato. Quer loucura, quer sabedoria, todas saberão que aquele ato foi dos céus.
Nos outros dias na cidade de Istambul, muitas coisas me surpreenderam. As artes, a cultura, a comida maravilhosa e o ambiente muito agradável e divertido.
Num almoço na Istiklal, ouvimos do terraço do restaurante as torcidas do Galatasaray e do Fenerbahce duelando gritos de torcida tão altos que me assustavam de ouvir. Tudo se dissipou com uma bomba, provavelmente da polícia, dispersando a balbúrdia.
Andamos por tantos lados da cidade, atravessamos a ponte para o lado da cidade mais antiga e cheia de atrações arquitetônicas num bairro chamado Sultanahmet, cheio de mesquitas e seus pilares. Fui orientada pelos céus a não entrar naquele lugar porque seria laço ao pisar ali. Apenas vimos de longe, e por todos os lados, vendo da ponte aonde os homens pescavam livremente ao cheiro intenso de seus peixes, as pontas das mesquitas da cidade de Istambul.
Divertido que estivesse sendo, eu sentia um incomodo dentro de mim. Ainda não havia orado com intensidade, apenas pequenas orações de folego durante a viagem toda, e desde Paris, primeira cidade que pisamos, meu espírito se incomodou.
Minha amiga foi dormir e fui orar na copa. A Presença de Deus estava ali. Foi uma conexão rápida com os céus de forma que não demorou muito para o Senhor me dizer algo.
“Vá para o lado oriental”.
Aquelas palavras inesperadas queimaram em meu peito. Então notei que não havíamos atravessado de balsa para o lado oriental da cidade já que Istambul é a única cidade do mundo que fica parte do lado ocidental, que é a Europa, e parte do lado oriental, que é a Ásia. Eu e minha amiga pretendíamos atravessar para o lado oriental pelo charme de dizer: “pisei a Ásia!”. Ela nunca havia pisado, eu sim numa outra oportunidade dos céus.
Mas havia naquela direção de Deus algo importante a fazer, e não demorei muito para entender. Lembrei-me desse versículo:

“Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem”. Mateus 24:27

Por algum motivo eu apenas tinha que ir lá.
- Amanhã vamos para o lado oriental. – Disse para minha amiga.

Nas margens do Chifre de Ouro, canal de águas que divide a cidade dos dois lados, pegamos a balsa. Ali víamos a religiosidade original da cidade, mulheres vestidas de cima a baixo com suas roupas próprias, coisa que não víamos no louco lado que nós estávamos hospedadas. Lá, víamos o que era Istambul, no meio do povo, no meio daqueles que não estavam “no meio”.
Descemos e não fomos muito longe. Era o outro lado espiritualmente falando. Eu percebia no ar a diferença, e não eram as roupas, as movimentações, os comércios. Aliás, não havia muitos comércios, pois os turistas não estavam ali. Era, ao meu ver, o lado morto da cidade. A porta do oriente.
Quando fomos aproximando da balsa, disse para minha amiga:
- Eu vou orar aqui e você vai conversando comigo para que ninguém perceba que eu estou orando.
Não me achei errada, com zelo poderia escapar de uma piaba islâmica ainda que aquele país não fosse tão rígido quanto os outros países mulçumanos.
Pedi o Reino dos céus. O Reino de Deus sobre aquele lugar. Havia no ar misericórdia, algo envolvido do amor de Deus no momento em que orava. Foram pequenas declarações ao Eterno e sei que Ele me ouviu. Pois, assim como o relâmpago era visto do oriente para o ocidente, Jesus será visto.
Voltamos para balsa e eu estava satisfeita por ser útil para Deus. Útil, ainda que não entendesse muito bem o que estava por vir.
Ouvi recentemente que o Estado Islâmico tem tentado invadir as fronteiras turcas no lado oriental, que é maior em chão que o lado ocidental. O inferno quer mesmo passar pelas portas do ocidente com seu terror de um modo mais fácil e prático, que a meu ver é a Turquia. Pode ser a tremenda tolice meu raciocínio, mas o que vemos é que de alguma maneira querem invadir a Europa, minando com pequenos ataques que vimos recentemente.
É o que declarei e volto a declarar a respeito da minha aventura turca: que o Reino dos céus venha, e que as portas do inferno não a resistam.

Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Um pé no oriente e outro no ocidente – Uma aventura turca – Parte 2

Eu acordei e já havia passado do meio-dia. Também pudera as horas tantas passadas na conexão em Roma e ao chegar à Turquia de madrugada além das horas na fila da imigração. Nós não existíamos de tanto cansaço. A minha amiga dormiu mais do que o normal como de praxe, e era bom, já que detesto o meu mau humor junto com o dela.
Eram exatamente 15h quando botamos os pés na rua estreita, mal nivelada e cheia de comércios locais ao redor. Os olheiros turcos sempre à volta nas portas de seus estabelecimentos para saber qual novidade sairia daquele hostel.
Estávamos morrendo de fome. Eu era a cicerone virtual, mas a única coisa que eu sabia de fato era que à esquerda era a Avenida Caddesi (Istiklal Caddesi) do bairro de Beyoglü. Saímos, olhamos ao redor, até que veio em nossa direção um rapaz alto, branco, de barba moldada. Ele apresentou-se como dono do hostel. Indicou-nos para comer ali do lado num pequeno restaurante parecido com um boteco de bairro paulistano. Ele de fato foi um cicerone: ajudou-nos a escolher um prato econômico com frango grelhado à moda turca, uma salada de feijão branco e um chá turco que geralmente é servido num copo do tamanho de um americano, mas moldado no meio como uma cintura feminina, e no canto do pires um torrão de açúcar.
Olhei a geladeira onde estavam refrigerantes populares e garrafas d´água numa prateleira, e na outra, copos de iogurte. Isso porque os turcos comem comida salgada, carne, com um copo de iogurte natural do lado como se fosse suco. Alguns pratos típicos também havia isso, pelo que degustei e aprovei. Iogurte, palavra turca, deu para entender.
Aquele cicerone nos chamou ao hostel de novo e nos deu mapas e dicas tão interessantes que nós guardamos muito bem. E lá fomos nós para a nossa aventura a pé pelos bairros de Beyoglü e Galatasaray.
A Istiklal Caddesi é uma avenida cosmopolita que mistura a cultura turca com a ocidental; lojas de doces turcos dos mais diversos entre lojas de grandes marcas típicas na Europa. Muita movimentação como a Avenida Paulista à noite, com músicos tocando seus alaúdes e tambores, moços jovens em parcerias e também famílias inteiras apresentavam-se, formando um círculo grande ao redor deles. Sempre tínhamos que ficar de olho e nos desviar das pessoas, dos mini coopers da polícia, do bonde que passava bem no meio da avenida.
Em todo tempo os homens turcos falavam diretamente a nós, cantando, olhando, sendo diretos, mas nunca avançando o sinal assiduamente. Nunca tinha visto homens tão atirados como aqueles, e, se falássemos que éramos brasileiras, seria pior, pois há muitas prostitutas brasileiras naquela cidade. “Sai pra lá, turcaiada, que nós somos de Deus!”. Ignoramos, andamos, e conhecemos aquela cidade, naquele dia, até o fim da Estiklal, descendo uma via como a Ladeira Porto Geral do centro de São Paulo, cheia de lojas de instrumentos musicais que no Brasil seria difícil de encontrar. Voltamos, paramos para comer um prato chamado Lahmacun, um tipo de pizza de carne com a massa bem fina.
A mãe de minha amiga disse para ela não ficar de noite nas ruas de Istambul. Eu sou adulta e poderia sair, mas aquela postura me contagiou puramente. Não que pretendia sair... Aquilo me soou cuidado dos céus.
Voltamos surpreendidas, certamente. Mas o melhor eu ainda vou contar.
Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração