segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Jesus Cristo no Arpoador

Se uma coisa eu tiver que falar da cidade do Rio de Janeiro é que o sol foi tomar um bronze na praia na Tijuca e espantou todo mundo para Copacabana. E tenho mais, e com gosto falo o que o Rio é: lindo, se souber achar.
A gente tem a velha mania de ver coisa ruim em qualquer lugar. Não vamos mais a Paris porque tem terrorista... Não vamos à Biblioteca de São Paulo porque morreram dezenas de pessoas no conflito do presídio... Com o Rio não é diferente, e ficam sempre falando: “cuidado com assalto”, “eles não gostam de paulista”. Não vi ninguém sendo assaltado, nem negando gentileza. Mas como boa paulistana, sei onde fica o cheiro do ralo da gente ruim. Em becos e caminhos estranhos não andei, sempre me movimentando atenta. Um olho no assalto e outro no mar na calçada da praia de Copacabana.
Ao chegar à estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, um jovem vendedor queimado de sol tirava uma self, sentado ao lado do monumento de rosto colado e soltando um sorriso largo.
- Ei, Vou tirar essa foto pra você!
- Pô, gata. Claro.
Pedi para ele tirar uma foto minha também com meu celular, então ele me alertou:
- Toma, linda... E cuidado com esse celular.
- Sim, vou vigiar aqui.  Obrigado.
Segui ao Arpoador e na praia descansei. É uma praia linda, de mãos dadas à Ipanema e de cotovelo com Copacabana. Fiquei deitada na areia sobre a canga como um neném recém-nascido que é badalado naqueles braços grandes de areia que era Deus soltando seu chiado por meio das ondas e me olhando de cima aonde palavra alguma correspondia. Quase dormi. Era a melhor sensação do mundo. Deus estava ali. Nada me falou apenas se mostrou.
Depois daquilo, qualquer um dispensaria a visita ao Cristo Redentor. Ele estava o tempo todo comigo, desde o calçadão até o Arpoador.

Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Queimou-se a Nossa Língua

Apaixonei-me pela nossa língua portuguesa. Não à gramática, e sim o lego que ela faz na literatura. A língua espanhola não chega ao seu tato; a inglesa, nunca saberá como ela é redonda nos lábios, e todos os seus verbos difíceis que são, é para erudito querer.
Mas eu sinto que o brasileiro detesta a sua própria língua. Não você, quem sabe. Um povo que não ama sua própria língua, não mantém a sua identidade. Quando a Palavra de Deus diz que toda língua o confessará e o adorará, ela diz a respeito da língua portuguesa também. Contudo, dela fazemos pouco caso, e destruímos o nosso próprio patrimônio na terra.
Poucos são aqueles que a mantém. Professores, leitores, alguns cantores, tentam de tudo para que ela não seja extinta nos corações. Há anos atrás, foi feito em São Paulo na estação da Luz, o “Museu da Língua Portuguesa”. Um lugar interativo, com vídeos, explicações de como nossa língua portuguesa surgiu, poemas e poetas, escritores diversos passaram por ali em exposições temporárias, e que os visitantes (por várias vezes vi isso), impacientes e nada leitores, passavam direto sem saber de onde veio a sua identidade.
Você sabia que a Língua Portuguesa veio do Latim, língua dos Romanos? Lá na placa onde Jesus foi crucificado, foi escrito em Hebraico, Grego e Latim “Eis aqui o rei dos judeus”, três línguas mais conhecidas do mundo naquele período. O Latim foi disseminado pelo mundo antigo, e os Romanos não só estabeleciam o Latim clássico, mas mantinham as línguas provincianas, e daí surgiram outras línguas: francesa, o espanhola, italiana, e a última flor do Lácio inculta e bela que é a caçula língua portuguesa. Olavo Bilac transmitiu de forma bela a sua identidade. Até alguns poetas antigos preferiam a Língua Portuguesa para escrever seus poemas.
E lá nos painéis interativos do museu, você poderia ver o nascimento da inculta e bela, quando ela foi separada do galaico-portugues para ser somente dela, somente nossa, e desprezada por todos os seus filhos. A resposta disso é quando se queima o conhecimento passando direto por ela, sem saber que o nosso vocabulário foi enriquecido por árabes, franceses, africanos, americanos... O nosso vocabulário e rico! Nós é que somos pobres, cegos e nus.
Pois bem. Eis a revolta do queimar do nosso conhecimento sobre nós mesmos. Nós estamos realmente mal. Hoje mesmo o nosso museu queimou. Falava para qualquer um visitar aquele lugar para conhecer mais de si, da língua que Deus nos deu. Quando convidava, percebia certo ar de torcer o nariz como quem diz que aquele lugar é para as excursões de escola, e já passou seu tempo.
Não tem mais tempo. Agora, nem se sabe se reconstruíram nosso museu, porque a língua, meu irmão luso-brasileiro, nós já queimamos faz tempo.

Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Inseridos na História do Eterno

“O que Deus tem comigo?”.
O que Deus quer com você? Talvez essa pergunta intimide a qualquer um, botando um medo lascado naquele lance “chamado de Deus”, e preferimos a apatia da pseudo simplicidade de não fazer nada na Presença Dele.
Quando amamos a Deus, vamos além de qualquer coisa, até acima dos dons descritos no livro de 1ª Coríntios (12 e 13). No entanto, se não o amamos, fazemos tudo de qualquer jeito. E, quando amamos, até o feio é bem vindo.
O amor nos puxa mais perto de um propósito maior, então entendemos o sentido da nossa vida. O porquê de você existir.
Não acredito em personagens criados para serem “planos”, cheios das mesmas coisas, mesmas roupas e outras manias. Deus é criativo demais: Ele quer personagens redondos numa história épica. Imagine aquela velha narrativa de escola que criávamos em folhas pautadas:
“O gato subiu no telhado”. É o trivial. Todo gato sobe no telhado. Mas, e se “o gato deitou na coberta do cachorro”? É diferente, não? O foco aqui não é o que vai acontecer com o gato, mas como a nossa história com Deus pode ter sabor. Portanto, Deus nos insere em histórias para sermos diferentes e para chamar a nossa atenção para alguma coisa.
Há pessoas que tem tudo. Por que será que Deus atende tanto às suas orações fúteis? Será que essa pessoa não percebeu que Ele está abençoando tanto para que essa pessoa um dia alcance orações não-fúteis e que valem mais que as coisas desse mundo?
Ou, você nunca teve nada, mas em tudo ouve provisão e uma saída. Será que Ele não está chamando a sua atenção para a edificação de sua fé?
Deus insere-nos em histórias tortas para escrever em nós uma vida reta. Será que não percebe que uma vida torta não é uma história com Ele? Seja então o personagem da Eternidade, inserido na história do Eterno.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A Basófia Desta Geração

A palavra “basófia” não existe. Foi um delírio que provavelmente eu tive no ensino médio quando perambulava pelas prateleiras do colégio agrícola no Sul de Minas Gerais, sempre fuçando Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes e devorando palavras novas no dicionário. Eu fucei certa vez os sinônimos da palavra “confusão, e entre elas estava balbúrdia, barafunda e a... Basófia, essa que encontrei em algum mundo de Nárnia ou no País das Maravilhas. Anos depois, fui procurar a tal palavra, mas só encontrei com “z”, a bazófia de fanfarronice.
Enfim, fiquei com a basófia e é assim que vai ficar.
Essa basófia ilusória vai me servir para falar sobre uma bagunça que eu chamo de “distração de um foco maior”, ou seja, o fato de não olharmos de fato para Deus, porque em cada geração há uma isca nova do inferno que nos leva longe Dele. Eu não vou perambular por outras eras, mas eu vou falar desta geração.
Como está sendo fácil te distrair, né, cristão? Como a gente é bobo e otário e fútil e fulgaz e não nos tocamos que a nossa vida agora é toda virtual? Não conseguimos ficar um minuto sem tocar em nossos celulares, tablets, afins, mergulhados em redes sociais egoístas, difamadoras, destruidoras, e que aceitam poucos e rejeitam milhões. Constroem-se ídolos cheios de “k´s” (k=1000 seguidores) e nós os idolatramos tão facilmente pelos likes, e quando não nos servem mais, é “dislike”, claro.
De dia e de noite, sutilmente sambando em nossas cabeças, geração Y que poderia ser usada por Deus, em orações poderosíssimas, que moveriam os céus até a terra e destruiriam o inferno sagaz, mordaz, atroz dos perdidos...
Que nada. Estou no Facebook por três horas.
Que isso. Não deixo de anunciar minhas besteiras no Snapchat, oras!
É claro que eu vou mostrar minhas fotos incríveis no Instagram. Admirem-me.
Ei, coisinha. Não tem problema ter tudo isso. Mas, se as rédeas de si mesmo se perderam você é um verdadeiro viciado, alcóolotra de internet, e claramente entrou na distração e está mergulhado na basófia desta geração. Você está doente.
O sinal disso é falta de intimidade com Deus. A pessoa que já está afundada nisso, não consegue sair da distração para se concentrar em Nele, porque toda hora o fulano vai querer mexer no bendito celular desesperadamente.
Que artimanha, hein... Você é o pato da vez. Não queira me bater. Viciado que é viciado vai me chamar de careta nesse exato momento. Falou?
Vi uma mensagem no Instagram que dizia: “Viva sem distração. Experimente Deus”. A dica é clara. Escolha agora, vocês, galera da internet. Você decide se desligar e se libertar desse vicio, ou vai continuar rodando em si mesmo, nessa basófia dessa geração.  Prefira o like do poder dos céus.

Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Orar: Por que Paris e Mariana?

“Prions pour Paris”, “Ore também por Mariana e Minas Gerais”... Será que você não percebeu que o mundo precisa de Deus e de um povo que o busque em oração? Será que nós só despertamos para orar quando a bomba explode ou a represa estoura? Está ai vários post-its para que lembremos que há muito que clamar ao Deus dos céus, movimentando por meio das nossas orações. Porém sem afobação.
Mas você sabe o que é oração? Vou explicar gramaticalmente:
“Toda análise de uma oração começa pelo verbo”. Isto é, ao redor de um verbo há outras palavras que formam a oração, como se o verbo fosse um boombox e as palavras fossem os b-boys. Vamos além: oração, tanto para a gramática como para a vida de um cristão, é fazer movimentos com as palavras, pois os verbos definem a ação e o estado das coisas ou pessoas.
Confuso, eu sei.
Orar nada mais é que movimentar os céus por meio de palavras dos nossos lábios por verbos de ação e estado.
Haja luz”. – Disse a Trindade ao criar o mundo.
“Não mais cresça fruto em ti” – Disse Jesus a uma figueira.
Sabemos também que orar é falar com Deus. Nada de repetições. É a conversa que temos com o Deus do universo, a troca de palavras por meio do Skype espiritual. Vejam que bela estratégia do Salmo 95: Adoramos a Deus por aquilo que ele é, falamos das coisas tremendas que Ele nos fez, agradecemos por sua bondade, e depois nos aquietamos como ovelhas, pois orar é falar. O momento com Deus nos levará a Ouvi-lo, como a ovelha escuta o seu Pastor. As palavras dos nossos lábios se esgotam e então Ele pode falar conosco.
Você já ouviu a Deus por meio do Espírito Santo que está em você que nasceu de novo em Cristo Jesus? Quando eu estava no mundo, não o entendia. Mas depois que comecei a andar com Ele, conheci a sua voz. Então, Ele fez me lembrar de momentos da minha vida perdida, em que lá Ele estava: “Ah, então era o Senhor...”.
Se você que não nasceu de novo, viva essa experiência.
Deus te revelará segredos! A adoração leva a revelação! Então, as nossas orações por meio daquilo que Ele nos mostrou a respeito talvez de nossa própria vida e da vida de pessoas (intercessão) não será ao léu e nem moda porque hoje é dia de orar por Paris ou pela tragédia de Mariana. Eu não quero dizer que não se deve orar por essas tragédias, mas porque não oramos antes para que não ocorresse? Faltou revelação.
Qual o motivo da minha oração? O que de fato Deus quer que eu ore? Pode ser que Deus te leve a pensar em alguma criança escravizada em qualquer lugar do mundo, ou pelos reais motivos da articulação maligna de tantas situações.
Eu não sei aonde Deus irá te levar com sua oração. Orar é movimentar o mundo espiritual, desde que seja segundo o que Deus quer, e não o que o humanismo quer.
Preste a atenção. Ore na revelação e acerte o alvo.

Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Salafrário e Luminoso – A Vida Louca de Jacó

Quando eu ouço sobre “Jacó”, tenho até um pouco de ojeriza. Porém, ao escutar “Israel”, tenho satisfação. Os dois eram a mesma pessoa, mas uma fica do lado de cá do vale de Jaboque, e o outro, do lado de lá. Um nasceu salafrário. O outro nasceu pai de nações, um luminoso homem.
No vale de Jaboque, o local do “não aguento mais ser esse Jacó”, é aonde ele deixou tudo para “tretar” com Deus. Lá é o vale do grito, do rasgar a carne podre, de lutar com o anjo do Senhor. Lutamos a nosso favor em nossos erros “jacônicos”, mas lá em Jaboque, lutamos contra o nosso eu a favor de Deus.
A briga foi boa. O anjo golpeou na coxa do indivíduo que caiu no octógono do vale, depois de muitos golpes altos de Jacó, que no início, aparentava galgar a vitória. Mas aquele toque sutil na coxa... Ai... Foi pior que o chute do Chris Weidman em Anderson Silva.
He knows nothing, innocent...
Tão inocente que no final da luta quem ganhou o cinturão dos pesos suaves foi Jacó, filho de Isaque. Seu prêmio valeu a existência de uma nação, e seu nome novo, Israel, nunca mais foi esquecido.
Pense você, Jacó de nossos tempos, quantas coisas você em algum momento vai ter que deixar passar, pois seu dia vai chegar daquele UFC de Jaboque, para que sejas um luminoso Israel.
Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Como Beatrix Kiddo

(Para ler essa crônica, esteja habilitado assistindo “Kill Bill 1 e 2”).
Hoje eu confesso os vários assassinatos que fiz com a espada da minha língua. Como uma Beatrix Kiddo, eu já matei com uma Hatori Hanzo tanto que talvez ultrapasse os 88 loucos que ela matou.
Tenho sangue na minha espada. O sangue de pisar fundo no acelerador sem controle até o carro bater, e esse pedal, tão sensível e tão estimulante, fez com que eu vitimasse dezenas.
Sim, eu tenho o poder da língua. Você também. O poder da vida e da morte.
Há na entranha de um guerreiro os “5 segundos”, que involuntariamente é ativado num momento de guerra. Por algum motivo, a espada se estende, e o corte certeiro e lançado.  É como um reflexo, uma potencialidade que corre nas veias dos braços e das mãos até o estender da espada. Mas isso pode ser fatal em casos de não necessidade.
Quem maneja uma espada afiada precisa controlá-la. Então aparece algum Pai Mei enviado do céu para arrancar os olhos do nosso temperamento descontrolado. Tais tratamentos intensivos são inevitáveis, até que a nossa espada afiada seja aplicada naquilo que devemos realmente retalhar.
Tudo é figurado, mas os machucados são reais. O que farei sendo uma Beatrix Kiddo?
Vemo-nos na escola do deserto diante do tentador. Interessante que foi Deus quem nos colocou lá. Vários testes vêm do querer mudar algo em si. O controle da espada, o saber que se pode acabar tudo em segundos nesse estopim, tornando o filme da vida em preto e branco do presente, nublando a cor do sangue de quem se dizimou. Por isso, dão-se socos em tábuas de madeira porque não saberemos o que virá depois. “Por quê?”, nada. Soque.
Quando ele vier para te aniquilar, verá outra Beatrix Kiddo. Não a assassina, e sim a heroína. Um Bill pode sussurrar em seus ouvidos que você sempre será o que foi criada para fazer, mas Deus gritará do outro lado, dizendo que agora a história é diferente.
Fulgazmente, duas laminas se batem, coreografam-se no ar, e seus guerreiros estão na última tentação.
- Vai-te daqui, Bill, pois só a Deus darei o poder da espada da minha língua.
O adversário reconhece a vitória, cai por terra, e se acaba ali mais um filme de nossa vida. É a história final? Não. É o começo de mais uma em que nunca mais matarás (só quando for preciso).
Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Não Quero Turuchi

Eu sempre gostei de música negra no fundo, no fundo. E do Hip-hop, na época que morava no guetto da zona sul de São Paulo, tentava ocultar aquele gosto peculiar, dando-me faniquito quando eu via os jovens se juntando para dançar nas festinhas do bairro da Vila Missionária. Nesse ambiente, ouvíamos sobre tudo a respeito da música, como a dança, o estilo (que eu nunca adquiri e nem critico) e outras tendências.
Uma delas era o beatbox, um som maluco que os meninos faziam com a boca e que era muito difícil. Pensava que comeria os lábios de tentar. Como nunca consegui, fiquei na simples onomatopeia, fazendo simples sons de tuchtá, tuturutá e outros como que só uma boba como eu pode fazer. Com esse estilo meio hip-hop, cheguei a fazer músicas de algumas declinações do Latim na faculdade de Letras para não esquecer na prova. A assonância, repetições de vogais num trecho de poesia ou música, se fez logo na primeira declinação:
“Ah, ae, ae, hã? Há, há...
...Ae...arum, is, as, ae, is…” – E assim vai.
Babaca que seja, todo mundo passou na matéria. Minha amiga com cara de índia disse que eu tinha ginga. Antes ela falar do que eu.
O tempo passou e participei de um grupo de Street Dance na igreja. Eu demorava demais para pegar cada “...7 e 8”. Mas no final, tudo era muito gostoso de fazer, ainda mais para o Reino de Deus. Nós criávamos nossos “oitos”. Eu fiz alguns bem complicados. Dançávamos em apresentações na igreja, em eventos evangelísticos, no meio da rua em meio a tantos perdidos. Confesso, amava fazer aquilo, era deleitoso. Mas um dia, tudo parou por falta de recursos humanos (e de querer mesmo).  Nunca mais se falou de Street Dance, ninguém se motivava, todos éramos gordos espirituais e preguiçosos, gostem disso ou não.
Porém, tudo isso fica na minha memória. Todas aquelas experiências originárias do Hip-hop. Músicas, danças, o beatbox.
Passei um tempo na casa do meu irmão, e minha sobrinha, um poço de criatividade, copiava quase igual tudo o que a gente fazia. Uma vez coloquei um gorro largo que comprei em Nova Iorque e comecei:
“Tuchi, turuchi... tuchi, turuchi...”.
Dançava diante dela, e ela me imitava com aquela graça de menina fofinha, aquela voz fina e doce como se ela fosse um marshmallow colorido. E todas as vezes que eu colocava o gorro, dançando ou não, ela vinha com aquele turuchi infantil e gracioso.
Enfim, sai da casa de meu irmão. Quase nunca a via, então nos comunicávamos pelo whatsapp. Sua mãe, para fazer uma graça, colocava-a no áudio para dizer alguma coisa para mim, sempre com muito divertimento. Foi então que sua mãe pediu para ela fazer o turuchi, mas ela insistia em cantar a musiquinha que ela aprendeu na escola. Então ela declarou:
- Não, não. Não quero turuchi.
Foi demais. Ela finalmente aprendeu a dizer não com todas as palavras. Ela cansou do turuchi. Era o seu tempo de uma nova música, uma nova canção, e aquelas velhas coisas já não davam mais, e bastou para o turuchi. Fiquei matutando aquilo, e passei a encerrar vários “turuchis” na minha vida.
Acabou-se o tempo do beatbox para mim, e nem sei se minhas onomatopeias se encaixam na excelência de um verdadeiro beatboxer. Mas já passou, e eu também, querida sobrinha, já não quero mais turuchi.
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sois Ensinadores de Justiça

Hoje é um belo dia para uma carta especial a todos os professores do mundo. Todos eles merecem esse espaço de honra por ser servo por excelência. Ser professor é exercer um chamado de Deus que ninguém quer tomar para si, e somente aqueles que dizem “Eis-me aqui” são condecorados com sabedoria e graça dos céus para exercer sua missão. Ainda que esse ou aquele não acredite em Deus, passe a acreditar quando for lembrar quantas vidas se edificaram como homens e mulheres instruídos no meio de uma sociedade corrupta através de você, professor. Mencionarei vários professores de personalidades diferentes e graus de inter-relação que não quer dizer confronto, e sim crescimento.
O primeiro e grande mestre que honrarei é Jesus. Ele ensina a justiça dos céus e seu exemplo não se pode comparar com ninguém. Poucos juntariam uma multidão de podres e desamparados de como entrar no Reino dos céus de maneira que homem algum poderia levar. As portas dos céus e os olhos do conhecimento se abriram para a humanidade sobrenaturalmente; Ele deixou suas experiências aos seus discípulos que compeliram sua cartilha (a Bíblia) como manual poderoso, um mapa para os tesouros eternos a qualquer homem da terra. Tudo isso por simples amor.

Fui visitar a Universidade em que me formei para buscar informações com minhas antigas professoras sobre um novo degrau para minha vida profissional. Uma delas é uma Doutora em literatura, a mais eximia que já conheci. Se eu chegar a sua idade com a cabeça que ela tem, serei uma grande mulher em minha área profissional. Ela lecionou-me Literatura Brasileira com tanto gosto que me lembro da delicadeza de suas palavras bem peneiradas que me fez aproximar dela. Escrevi um poema (veja a crônica: “Ai de mim que não sou romântica” nesse mesmo blog), e a cada trecho ela me auxiliou. Até que numa aula, ela ensinava sobre João Cabral de Melo Neto. De repente, ela apontou para mim no meio da aula e me disse:
- Você.
Eu surpreendi-me, vi que todos olhavam para ela.
- Você tem esse “estilo”. Se você continuar nesse caminho, vai ser...
Nem me lembro de suas palavras. Como não me sentir pequena diante de uma sala com tantos alunos brilhantes e uma Doutora em Letras? Acredite, graças a Deus ela apareceu na minha vida. (Se quiser conhecer o poema, está no blog http://poesiadosalunosdaescoladodeserto.blogspot.com.br/2011/04/la.html).
E, naquela mesma visita, fui buscar conselho com uma das melhores professoras de Língua Inglesa que já conheci. Ela bate no meu ombro (eu tenho 1,65cm), contudo, como as formigas que carregam muito além de seu peso, essa é a nossa pequenina. Sim, é nossa, porque ela sempre será aquela que doa tudo o que tem sem cobrar coisa alguma. Deve ser por isso que ela tem tudo. Quem se doa, recebe. Conversamos com ela durante horas, e a professora não parava de falar. Nem me permiti, por mais das tentativas, sair daquela sala, e fui embora por volta das 22h totalmente pilhada nas ideias, cheia de incentivos, reacendendo chamas que Deus me deu com mais intensidade. Bem-aventurado aquele que não só ensina que o álcool pega fogo mas também joga o fósforo aceso.
 Entretanto, nem tudo são sarças que não queimam. Há professores que nos lançam no fogo como um oleiro que molda um vaso de barro cheio de imperfeições, raízes, pedras, fósseis, e tantas outras tranqueiras que a massa pode trazer. Peneira-se, soca-se, amassa-se, e depois o vaso é moldado. E, depois de tanto apanhar no ringue, ainda é levado ao fogo alto a fim de que o vaso seja queimado. Assim são aqueles professores que mais odiamos. Eu tive vários, mas não nego que tudo aquilo foi excelente para mim. Houve uma professora que se ela lesse essa crônica sem dúvidas ela faria um belo quadro expressionista com sua caneta vermelha. Eu entrei na faculdade me sentindo “a escritora”, “achando” que abafaria. Pedi a benção da minha Pastora e lembro da sua oração:
“...Senhor, que ela caia na graça dos professores...”.
Que isso... Quando comecei a escrever aqueles primeiros textos das últimas aulas das segundas-feiras e sextas-feiras, eu só via as seguintes citações: “Não entendi”, “O que significa isso?”, “Não está bom”, “Melhore seu texto”, entre outras metralhadas, sendo o tiro final seus belos 0,00 ou 0,25 diante de um texto de 1,00. Cheguei para minha Pastora, dizendo que queria desistir do curso.
- Se você parar a faculdade, eu tiro você da Intercessão.
- Pensando melhor, vou continuar, sabe?
Continuei, e das duas matérias que a professora carrasca lecionava, peguei uma dependência. Aquela dureza dela me faz lembrar meu pastor. Ele sempre será terrível em Palavras porque ele tem que ser. Ele não molda vasos, ele quebra pedregulhos e as aparam com ferramentas que ninguém quer fazer porque esse dom vem de Deus. É um ensinador de justiça. Em suas aulas, eu sinto-me numa Universidade do Reino de Deus. As pessoas não conseguem entender os zeros bem vermelhos em suas vidas porque aquilo dói e massacra, mas isso é a parte dolorida do processo. Para aqueles que ele trata mais duramente, é porque pode dar um caldo melhor. Então, só sabemos o porquê daquele processo árduo no final... Só reencontrei aquela professora de Redação no último ano de faculdade. Meus textos não eram mais os mesmos, eu não era mais a mesma! Então, ela começou a me respeitar. Eu sei, professora, o motivo por que sofri tanto: eu era em algum grau uma analfabeta funcional. Não tive uma boa escolaridade durante parte do meu ensino fundamental, e sofri para adquirir essa identidade da profissão que escolhi. Não sei se serei uma das maiores escritoras do mundo, mas uma coisa eu quero, e você me ajudou: ser uma benção para essa geração. Aproveite e corrija esse texto para mim. Eu aceito a sua caneta vermelha.
Portanto, a todos esses mestres que eu mencionei, todos esses importantes para que eu pudesse ser chamada de “alguém”, e também aqueles que eu nem conheço, que passam por ai sem serem valorizados em seus salários (pois digno é o obreiro do seu salário – embora seja um texto sobre os ministros do Senhor, eu aplico aos que tem fome e sede de ensinar), que são espancados pelo poder, pelos alunos e pelos seus pais, e são colocados numa caixa de ferro de padrões de ensino que nunca darão certo, porque a resposta está no que essa geração é hoje, e vemos nossa decadência por falta de conhecimento tanto da terra quanto do céu. A todos os perseverantes, muito obrigado por fazer o melhor de vocês. Eu espero que minhas palavras o edifiquem, e acredite, a Bíblia diz:
"Mas sede fortes, e não desfaleçam as vossas mãos, porque a vossa obra terá recompensa." (2 Crônicas 15:7, RAStr)
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O juke box ambulante

Quando fui para Nova Iorque pela primeira vez, a cidade inteira me lembrava New York, New York de Frank Sinatra. Na segunda vez, a trilha sonora se transformou em Take five de Dave Brubeck. O mesmo lugar transformou-se totalmente não pelo ambiente, mas pelos ares vividos naquele instante, mudando de uma vez o que posso chamar de repetição. O lugar pode ser o mesmo, mas a música tem que mudar.
Antes mesmo que escandalize os irmãos, digo que minha música preferida é aquela que não tem parte com o outro. Se tiver, meus ouvidos incomodam-se, como se a música soltasse seus ares, mostrando de onde ela vem. O meu exemplo é só exemplo.
Por onde passo, a música tem que mudar. Sendo a mesma, tudo é batido. Já foi. É um verdadeiro hit, a paradinha do sucesso que logo vai ser esquecida, sinto muito, rapaz. Posso ir a uma cidade duas vezes, mas as visitas precisam ser diferentes.
A música que sai de um servo de Deus não é bem música. É um som silencioso que não precisa de palavra alguma para descrever. Os que passam por ele sentem algum aroma diferente. Passando esse de novo, logo mais, vai ter outro som com gosto novo, aperfeiçoado, autêntico, e o juke box ambulante tocando o som dos céus.
O servo, o tal juke box ambulante, emite a trilha sonora silenciosa. Nem ele sabe qual é a música que tocará, pois quem escolhe as músicas é o Criador. E lá vai o som agradável que até surpreende o aparelho que só serve para servir... e principalmente, fazer o mundo inteiro dançar.
Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Um pé no oriente e outro no ocidente – Uma aventura turca – Parte 3

Não pense você que essas crônicas são para falar das viagens, de comidas, de lugares novos, ou de qualquer outro lugar passageiro dessa terra. Esse apenas é o meu cenário. Vai pensando que a vida e só deleite desse jeito. Aquele que e guiado pelo Espirito de Deus não vê apenas um lugar como simples lugar de passeio, e sim um lugar de missão. Tudo se torna missão, torna-se propósito, torna-se motivo de intercessão. Não de forma religiosa que em momentos inoportunos e sem falta de senso se manifesta. Não. O que é do céu se manifesta de forma louca e desfaz toda religiosidade; é autêntico. Por isso, tanto ímpios quanto justos testificarão o ato. Quer loucura, quer sabedoria, todas saberão que aquele ato foi dos céus.
Nos outros dias na cidade de Istambul, muitas coisas me surpreenderam. As artes, a cultura, a comida maravilhosa e o ambiente muito agradável e divertido.
Num almoço na Istiklal, ouvimos do terraço do restaurante as torcidas do Galatasaray e do Fenerbahce duelando gritos de torcida tão altos que me assustavam de ouvir. Tudo se dissipou com uma bomba, provavelmente da polícia, dispersando a balbúrdia.
Andamos por tantos lados da cidade, atravessamos a ponte para o lado da cidade mais antiga e cheia de atrações arquitetônicas num bairro chamado Sultanahmet, cheio de mesquitas e seus pilares. Fui orientada pelos céus a não entrar naquele lugar porque seria laço ao pisar ali. Apenas vimos de longe, e por todos os lados, vendo da ponte aonde os homens pescavam livremente ao cheiro intenso de seus peixes, as pontas das mesquitas da cidade de Istambul.
Divertido que estivesse sendo, eu sentia um incomodo dentro de mim. Ainda não havia orado com intensidade, apenas pequenas orações de folego durante a viagem toda, e desde Paris, primeira cidade que pisamos, meu espírito se incomodou.
Minha amiga foi dormir e fui orar na copa. A Presença de Deus estava ali. Foi uma conexão rápida com os céus de forma que não demorou muito para o Senhor me dizer algo.
“Vá para o lado oriental”.
Aquelas palavras inesperadas queimaram em meu peito. Então notei que não havíamos atravessado de balsa para o lado oriental da cidade já que Istambul é a única cidade do mundo que fica parte do lado ocidental, que é a Europa, e parte do lado oriental, que é a Ásia. Eu e minha amiga pretendíamos atravessar para o lado oriental pelo charme de dizer: “pisei a Ásia!”. Ela nunca havia pisado, eu sim numa outra oportunidade dos céus.
Mas havia naquela direção de Deus algo importante a fazer, e não demorei muito para entender. Lembrei-me desse versículo:

“Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem”. Mateus 24:27

Por algum motivo eu apenas tinha que ir lá.
- Amanhã vamos para o lado oriental. – Disse para minha amiga.

Nas margens do Chifre de Ouro, canal de águas que divide a cidade dos dois lados, pegamos a balsa. Ali víamos a religiosidade original da cidade, mulheres vestidas de cima a baixo com suas roupas próprias, coisa que não víamos no louco lado que nós estávamos hospedadas. Lá, víamos o que era Istambul, no meio do povo, no meio daqueles que não estavam “no meio”.
Descemos e não fomos muito longe. Era o outro lado espiritualmente falando. Eu percebia no ar a diferença, e não eram as roupas, as movimentações, os comércios. Aliás, não havia muitos comércios, pois os turistas não estavam ali. Era, ao meu ver, o lado morto da cidade. A porta do oriente.
Quando fomos aproximando da balsa, disse para minha amiga:
- Eu vou orar aqui e você vai conversando comigo para que ninguém perceba que eu estou orando.
Não me achei errada, com zelo poderia escapar de uma piaba islâmica ainda que aquele país não fosse tão rígido quanto os outros países mulçumanos.
Pedi o Reino dos céus. O Reino de Deus sobre aquele lugar. Havia no ar misericórdia, algo envolvido do amor de Deus no momento em que orava. Foram pequenas declarações ao Eterno e sei que Ele me ouviu. Pois, assim como o relâmpago era visto do oriente para o ocidente, Jesus será visto.
Voltamos para balsa e eu estava satisfeita por ser útil para Deus. Útil, ainda que não entendesse muito bem o que estava por vir.
Ouvi recentemente que o Estado Islâmico tem tentado invadir as fronteiras turcas no lado oriental, que é maior em chão que o lado ocidental. O inferno quer mesmo passar pelas portas do ocidente com seu terror de um modo mais fácil e prático, que a meu ver é a Turquia. Pode ser a tremenda tolice meu raciocínio, mas o que vemos é que de alguma maneira querem invadir a Europa, minando com pequenos ataques que vimos recentemente.
É o que declarei e volto a declarar a respeito da minha aventura turca: que o Reino dos céus venha, e que as portas do inferno não a resistam.

Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Um pé no oriente e outro no ocidente – Uma aventura turca – Parte 2

Eu acordei e já havia passado do meio-dia. Também pudera as horas tantas passadas na conexão em Roma e ao chegar à Turquia de madrugada além das horas na fila da imigração. Nós não existíamos de tanto cansaço. A minha amiga dormiu mais do que o normal como de praxe, e era bom, já que detesto o meu mau humor junto com o dela.
Eram exatamente 15h quando botamos os pés na rua estreita, mal nivelada e cheia de comércios locais ao redor. Os olheiros turcos sempre à volta nas portas de seus estabelecimentos para saber qual novidade sairia daquele hostel.
Estávamos morrendo de fome. Eu era a cicerone virtual, mas a única coisa que eu sabia de fato era que à esquerda era a Avenida Caddesi (Istiklal Caddesi) do bairro de Beyoglü. Saímos, olhamos ao redor, até que veio em nossa direção um rapaz alto, branco, de barba moldada. Ele apresentou-se como dono do hostel. Indicou-nos para comer ali do lado num pequeno restaurante parecido com um boteco de bairro paulistano. Ele de fato foi um cicerone: ajudou-nos a escolher um prato econômico com frango grelhado à moda turca, uma salada de feijão branco e um chá turco que geralmente é servido num copo do tamanho de um americano, mas moldado no meio como uma cintura feminina, e no canto do pires um torrão de açúcar.
Olhei a geladeira onde estavam refrigerantes populares e garrafas d´água numa prateleira, e na outra, copos de iogurte. Isso porque os turcos comem comida salgada, carne, com um copo de iogurte natural do lado como se fosse suco. Alguns pratos típicos também havia isso, pelo que degustei e aprovei. Iogurte, palavra turca, deu para entender.
Aquele cicerone nos chamou ao hostel de novo e nos deu mapas e dicas tão interessantes que nós guardamos muito bem. E lá fomos nós para a nossa aventura a pé pelos bairros de Beyoglü e Galatasaray.
A Istiklal Caddesi é uma avenida cosmopolita que mistura a cultura turca com a ocidental; lojas de doces turcos dos mais diversos entre lojas de grandes marcas típicas na Europa. Muita movimentação como a Avenida Paulista à noite, com músicos tocando seus alaúdes e tambores, moços jovens em parcerias e também famílias inteiras apresentavam-se, formando um círculo grande ao redor deles. Sempre tínhamos que ficar de olho e nos desviar das pessoas, dos mini coopers da polícia, do bonde que passava bem no meio da avenida.
Em todo tempo os homens turcos falavam diretamente a nós, cantando, olhando, sendo diretos, mas nunca avançando o sinal assiduamente. Nunca tinha visto homens tão atirados como aqueles, e, se falássemos que éramos brasileiras, seria pior, pois há muitas prostitutas brasileiras naquela cidade. “Sai pra lá, turcaiada, que nós somos de Deus!”. Ignoramos, andamos, e conhecemos aquela cidade, naquele dia, até o fim da Estiklal, descendo uma via como a Ladeira Porto Geral do centro de São Paulo, cheia de lojas de instrumentos musicais que no Brasil seria difícil de encontrar. Voltamos, paramos para comer um prato chamado Lahmacun, um tipo de pizza de carne com a massa bem fina.
A mãe de minha amiga disse para ela não ficar de noite nas ruas de Istambul. Eu sou adulta e poderia sair, mas aquela postura me contagiou puramente. Não que pretendia sair... Aquilo me soou cuidado dos céus.
Voltamos surpreendidas, certamente. Mas o melhor eu ainda vou contar.
Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração

domingo, 11 de janeiro de 2015

Bon voyage

Uma carta fraternal:
"Nunca vi um presente criar pernas, mas quando ele estica as canelas, não tem como o parar. É como um pássaro que a gente libera da gaiola do nosso coração, como um filho bem criado e instruído para enfrentar as multidões de adversidades.
O presente vai estar no fundo do nosso ser, sempre presente nas lembranças que outrora se firmaram e não podem mais sair. É um scrapbook do Eterno, criado com papéis em branco prontos para que possamos colorir.
Presente é uma caixa colorida envolto de um belo laço que grita em nossos olhos "você não quer saber o que é?". E é algo muito bom.
Vai, presente, assim mesmo. Mas volte, sempre presente como sempre estará.
Vai com Deus, amiga. Sempre presente."
Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A marmitinha

Não durma quando vier aquela remessa do céus expressa só para você. Nem deixe na confiança de outro para que te acorde, pois até essa pessoa pode se esquecer.
Não durmo bem em aviões. Tenho uma dificuldade imensa porque as costas espremem na cadeira apertada e sonho com o dia de piscar os olhos e estar em outro lugar. Fui viajar com uma amiga a Nova Iorque. Por um instante pestanejei profundamente no encosto de pescoço que comprei. Eu apaguei a ponto de não ouvir nada. Mas algo me acordou e eu olhei para trás. O carrinho que serve o jantar já estava dois bancos atrás de mim. Eu reclamei para a amiga.
- O carrinho do jantar passou e você nem me acordou?
- Amiga, você estava dormindo tão bonitinho e você tem tanta dificuldade para dormir que eu resolvi deixar.
- O que?! Dá essa marmita aqui para mim, faz favor!
Essa última parte eu não falei assim, contando que dentro de um avião não custa ter bom senso.
Mas pense só, durmo no ponto. Havia um jantar para mim. Por pouco, quase perdi minha marmita mexicana, já que estava fazendo conexão no México.
A marmitinha de Deus, ele tem todos os dias. Talvez ela não seja de alumínio ou de plastico. Talvez ela nem seja uma marmita... Talvez uma caixinha de presente reservada via FedEx espiritual. Algum anjo te trás o mistério daquele dia, a informação necessária a cada manhã, ou noite, oi tarde...escolha ai.
O deleite do eterno, uma revelação, é como o maná que Israel colhia no deserto. Se se deixa de colher a chuva daquele dia, no outro ela apodrece, traz moscas, e já não tem serventia alguma. Já se foi.
Digo a respeito das revelações. A pergunta constante para Deus é "o que significa isso ou aquilo". Caso não fale, coloque na estante. O que é de Deus há de ser exposto.
Hoje é dia de maná! De revelações! De marmita quente! Aliás, todos os dias. 
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração