domingo, 11 de maio de 2014

Mãe, volto logo

Foi assim que aconteceu. A filha entrou no corredor de embarque e a mãe iniciou seu choro, certificando ali que intensificaria sua oração pela sua cria, vendo-a se distanciar e partir para mais um de seus motivos de intercessão.
Oras, era apenas uma viagem turística... Paris, Londres... Seria mais tranquilo se não fossem, ela e a amiga, para a cidade de Istambul na Turquia. As faladeiras diziam que lá havia tráfico de mulheres, um perigo! Óh, o que será da tua filha! Não faça isso! Afinal de contas, o que havia em Istambul? Se alguém, de alguma maneira pronunciou tais refogados de palavras, ai já eu não sei. Sou ficcionista.
A filha olhou para trás algumas vezes enquanto ziguezagueava para encarar a policia federal. Ela não quis acreditar que a mãe chorava e veio o ar de consolo, pois tudo ficaria bem. Ei! Ela vai voltar logo!
Sua amiga não tinha mãe, sendo Deus seu pai e, ao mesmo tempo, sua mãe. A amiga não tinha o porquê se grilar por qualquer motivo, e mesmo assim pediu para algumas pessoas orarem para que essa viagem fosse uma benção, para que não existissem problemas...
Problemas. As duas brigavam como duas irmãs. Mas nenhuma vendeu a outra, mesmo porque uma precisava da outra, e o melhor de tudo: amigos se tornam irmãos no calor da fornalha.
Ao retornarem ao Brasil, havia uma bagagem de histórias. A mãe e o pai, ansiosos, ali esperavam sua filha que, cansada, não transpareceu exaustão por causa da maquiagem que lhe camuflara as depressões da viagem mal dormida. A filha estava segura, na verdade, em toda a sua aventura. Quem não ficaria com uma mãe intercessora, pedindo que a filha fosse protegida, amparada, e até mesmo transformada nessa experiência internacional?
No olhar de sua amiga, sempre apreensiva, mas silenciosa, sabendo que não poderia falar muitas das revelações que tivera de Deus (e que muitas e muitas dessas, Deus avisara e depois de confrontos houve livramento), estava o entendimento que os céus estavam ao seu favor. E dias depois foi falar com sua líder de intercessão, mãe que não é mãe, mãe das orações pelos seus filhos espirituais. Disse ela que orou por elas, e bastante. Pressentiu a menina que não esteve sozinha nessa jornada. Por isso há sempre muitas mães para aqueles que são de Deus. Ele nunca, nunca, deixa um filho sem mãe.

Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração

domingo, 4 de maio de 2014

Parada 33

Tenho a sensação de que vou viver uma nova vida. Não falo do novo nascimento, algo que já tenho como selo dentro de mim, mas de um período novo, de um desempenho que eu viverei com intensidade.
Já não posso falar de muitas coisas sobre mim, nem das minhas experiências com Deus (e de batalhas espirituais), pois com certeza você me chamaria de despirocada, algo que até amigos acham de mim. Nem para eles poderei falar mais, talvez para ninguém, tal como Paulo que falou de uma determinada experiência que lançou em terceira pessoa para que tirasse de si, acredito, porque a sua vivência espiritual foi crazy. Quem sabe jogo para outra pessoa, assim se alivia o peso de mim.
Eu não posso dizer quando os anjos pousam, quando eles andam ao redor, e muito menos suas estaturas. Nem sempre os vejo, mas o que eu posso confirmar é que os anjos do Senhor acampam-se ao redor daqueles que O temem e os livra. Palavra boa essa. A gente que é bobo e não vê. Só vê para crer, sendo que não crê primeiro, por isso nada verá.
Empirista. Largue suas fórmulas. Eletricidade não se mede com trena.
Cansei dessa religiosidade, dessas formulinhas que o homem atribui. Vida espiritual com Deus não é religiosidade. É muita novidade para que eu coloque numa caixa e a feche depois.
Dou, com isso, um basta para as minhas besteiras. Nunca abri minha caixa nas minhas escritas como aqui estou fazendo nesse pequeno texto. Há um sentimento de mudança, de encaixotar as coisas todas e partir para outra estação.
Está chegando a hora. À parada 33.
Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração.