terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Da Mata

Nunca darei a qualquer uma de minhas escritas o nome de pessoas que conheço. Talvez delas só dê uma pincelada de um pincel num quadro. Talvez sujeito seja o azul royal, e o resto, enfim, o resto da história de muitas outras cores. Quem sabe não mereçam, quem sabe é melhor ficarem nos bastidores das tintas.
Hoje vou pintar de verde o meu quadro. O verde, conforme a revelação dos céus significa renovo, esperança. Nada de reencarnável, falo de renovação de quem somos e de que não mudaremos porque Deus me fez uma só, como a todos nós com uma personalidade incrível, feitos numa fôrma que já foi jogada fora, e não precisará que nenhum outro ocupe o seu lugar.
Assim Da Mata foi feita. Ela era cheia desse verde, pitadas que os céus deram do capim dos pastos verdejantes de Deus. Talvez por esse motivo muitos e muitos costumavam acampar em seu jardim chamado “enfermaria” – aquela enfermaria do colégio mineiro que todos nós naquela velha escola corríamos – todos nós sem a mãe presente, sem um presente definido que nos impulsionasse a um futuro melhor que aquele.
As nossas dores eram diversas. Dor de ouvido, dor nas costas, dor de cabeça, dor na alma... E na alma, o melhor remédio dela era nos consolar.
Confesso que já aprontei com a Da Mata: Uma vez ela pediu para eu e um amigo despirocado dar uma olhada na enfermaria porque precisava dar um pulo na administração. Enfim, sozinhos, corremos para o armário de remédios e cada um deu uma bela golada no xarope açucarado que sempre pedia para ela, dizendo estar sempre com dor de garganta.
Ela se foi. Nem contei que aprontei com ela.
Mas fica esse marco. Faço questão de escrever! Faço justo a lembrança de quantas e quantas vezes ela me assistiu. Destronquei o tornozelo, lá estava ela. Tive uma dor horripilante de ouvido, lá estava a senhora mais amiga do mundo, para pingar aquele santo remédio. Quando não tive casa para morar, ela me escondeu durante uma noite no quarto da enfermaria... E até o meu último dia na cidade de Inconfidentes, ah... Ela me ajudou.
Oro para que o mundo seja mais Lúcia. Seja mais doce. Seja mais assim como até o meu Jesus o é. Mais verde... mais renovado... mais esperançoso... mais Lúcia da Mata.
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O grão de feijão e as batidas do coração

Meu sobrinho é uma promessa de Deus. Promessa que Ele revelou em um sonho 10 anos antes... Eu chegava num aeroporto americano aonde meu cunhado e minha irmã me esperavam com um nenê no colo envolto de um cobertor azul bebê.
Lá estava eu no frio chuvoso no aeroporto de San Francisco, caçando um carrinho de mão no desembarque para minha imensa mala, quase brigando com isso porque o negócio não destravava. Foi quando ela surgiu com aquela imensa barriga pontuda para me buscar enquanto meu cunhado esperava no carro. Enfim, não o vi no cobertor azul. Bastou Deus me levar até lá.
Semanas depois, minha irmã foi tomar banho e escorregou de bunda no banheiro. Fez um barulho e ela gritou. Eu e meu cunhado corremos para ver o que havia acontecido, e ela falou que estava tudo bem. Mas, na madrugada, tudo ficou assustador quando ela saiu de seu quarto rápido, chorando, indo ao banheiro.
“Eu não sinto meu bebê!”. Gritou ela.
Às pressas, foram ao hospital perto das 4 da madrugada.
Estagnei na sala. Balancei a cabeça e só pude me indignar e orar.
“Não, não, não, meu Deus, meu sobrinho...”.
No mesmo instante levantei um clamor. Orei ao ponto de me desgastar em palavras no sofá, até o ponto de mergulhar na revelação, muito perto daquela soneca que costumamos ter ao assistir televisão. Uma visão começou pequena como um grão de feijão, veio crescendo, endireitando-se, com o som das batidas de um coração que aumentava mais e mais, até que vi um bebê.
“Meu sobrinho está vivo. Obrigado, Senhor”.
Fui dormir. Eles voltaram às 6 da manhã com meu sobrinho vivo. Ele havia crescido, estava prestes a nascer, e o espaçoso queria mais espaço para se mexer. Deus já havia me confortado desse desespero e vi o quanto Deus tem cuidado de tudo e de todos que se cede em suas mãos. 
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.