quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Os anjos e os demônios em Nova Iorque – Final

Vamos continuar aquela trajetória fatídica que vivi ao sair da Big Apple. Aeroporto de Newark. Ao chegar ao check-in uma funcionária que era brasileira me informou mais um inoportuno:
- Eu tenho uma notícia boa e uma má notícia.
- Vamos lá, me diga.
- O vôo até Salt Lake City ainda não saiu...
- Que bom.
-... Mas Salt Lake para San Jose só sairá amanhã de manhã.
- Cacilda.
- Olha, a companhia aérea vai te pagar um hotel em Salt Lake City e então você vai amanhã para San Jose.
- Poxa, hoje já me foi um dia terrível.
- Coitadinha...
- Coitadinha o caramba. – Pá! Bati no balcão e disse: - Eu vou nesse vôo.
Ao chegar à sala de embarque, faltando ainda algum tempo para o avião decolar, fui até o balcão da companhia aérea para me certificar de que estava no lugar certo, já que tudo estava dando errado naquele dia. Agora, a moça era uma portuguesa.
- Seu vôo é nesse portão sim, mas você poderia ir a San Francisco em outro vôo e de lá a companhia aérea pagará um táxi para você até Santa Cruz.
Pedi para fazer um telefonema para minha irmã. Ela achou viável já que me transportariam até sua morada. A moça arrumou meus dados, deu-me o voucher para o táxi, mudou os dados da mala para o mesmo vôo que o meu. Enfim, estava feito. Sentei na sala de embarque com satisfação e alívio por não perder meu vôo.
Horas depois em San Francisco...
Fiquei esperando aquela esteira entregar a minha mala, então, a esteira parou. A minha mala não veio. Fui ao guichê da companhia, pois lá eu iria mesmo assim.
- Moça, a tua mala foi para Salty Lake City.
          - O QUÊ?!
- E não podemos pagar um taxi para você daqui para Santa Cruz. Isso não existe em nossa companhia.
Meu cunhado não poderia me buscar em San Francisco por causa do trabalho. Fiquei uma hora e meia tentando resolver os problemas, entre telefonemas e discussões, enrolar de línguas e falta de compreensão. Tive que ficar em San Francisco num hotel pago pela companhia, sem meu pijama e minha super mala. Nada reclamei pelo hotel bacana em que fiquei. Só tive o que agradecer a Deus por ter sobrevivido a mais uma aventura. Afinal, para cada dia basta o seu mal...
Pela manhã acordei com o telefonema de minha irmã me direcionando a me preparar para voltar ao aeroporto, pois, conforme as boas argumentações de meu cunhado, arrumaram um travelbus para me levarem até San Jose onde meu cunhado me buscaria.
Fui para o aeroporto e lá estava a minha super mala. Outro funcionário da companhia, um argentino, ajudou-me com o voucher e voltei para a casa de minha irmã. Sarei totalmente da desidratação dois dias depois, à base da vida saudável das sagradas orientações de minha irmã.
Ainda guardo na memória aquele dia, e confesso: foi uma experiência incrível, tão incrível que não quero passar de novo. Nova Iorque com certeza ficou gravado em minha memória, cidade que visitarei algum dia de novo e que, com certeza, não comerei mais nenhum pedaço de pizza de qualquer kitchen hell. Vi Deus me guardar, enviando os seus anjos para me ajudar depois de devorado a pizza que o diabo criou. Essa é uma prova que nunca estou só aonde quer que eu andar, em qualquer lugar do mundo.
    Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração