segunda-feira, 29 de abril de 2013

Os anjos e os demônios em Nova Iorque – parte 1

Era a minha última noite em Nova Iorque. Estava exausta, as pernas doíam. Fui dar um último passeio na Time Square. O frio não era tão cortante quanto do primeiro dia, mas rachara a minha boca de tal modo que não a movimentava.
Antes de voltar ao Hostel, entrei na pizzaria do inferno. Comi um pedaço de pizza enviado e fui embora. No momento em que subia devagar em meio às penumbras das luzes dos andares, vi passar na minha frente um anjo. Logo perguntei para Deus o que estava acontecendo.
Às quatro da madrugada descobri.
Acordei de súbito. Um sobe-desce dentro de mim. Eu conhecia aqueles sintomas, foi aquela pizza maledita do italiano. Se tivesse comido na Hell´s Kitchen faria jus, mas não foi. Tive uma desidratação que me deixou no banheiro por quatro horas. Tornei-me todas as cores, e só pensava que meu voo de volta à Califórnia era às duas da tarde, para ajudar, em Newark – Nova Jersey.
Houve uma segunda francesa chamada Agheta (ainda conto das minhas aventuras no hostel), que entrou no banheiro por volta das 7h30 perguntando se eu estava bem. Eu estava morrendo. Desejou-me melhoras e saiu para passear. A La France!
Entrei no quarto e liguei na assistência médica. Por várias vezes não conseguia falar com alguém que prestasse, até que um atendente de voz aguda me disse o endereço. Desci com as malas, um rapaz alto me ajudou. Cheguei para o check-out e uma negra forte de pescoço do Bronx me atendeu. Senti-me verde. Corri novamente ao banheiro. Pedi que ela me chamasse o taxi - o único favor que fizera. Desci 68 quilos de mala contra os 3 que perdi menos força. Parou um negro dentro de um ladau preto de porta malas de quitenete. Arremessou a mala e por 15 dólares fomos beirando o Central Park...
Continua...
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração

terça-feira, 9 de abril de 2013

Um pensamento sobre Robert Frost no Harlem



Talvez você nunca tenha ouvido falar desse poeta americano. No último ano de minha faculdade de Letras estudei literatura americana, e Robert Frost e seu poema modernista denominado “The road not taken” (O caminho que não escolhi) foi um dos que analisamos. O poema interessou-me, por isso a lembrança.
No fim destas linhas haverá esse poema. Não corra para lá tão eufórico. Vou dizer ainda o porquê do Harlem.
Na minha primeira manhã em Nova York procurei na internet a farmácia mais próxima do hostel em que me hospedava. Precisava atravessar o Central Park para comprar cosméticos e tomar café em algum lugar naquele frio escabroso daquela manhã cidade onde todo mundo quer estar no frio. Vesti tudo o que podia. O sol não me aquecia. Sai pela esquerda e direita no final do Central Park, onde já era o Harlem. Como todo bom turista, quis fotografar tudo, filmar tudo... Foi numa escolha de dois caminhos que lembrei e gravei sobre Robert Frost.
Sabe que dois caminhos todo homem vai ter que escolher. Talvez os dois apresentem-se iguais, em alguns aspectos semelhantes, mas não são. É como o caminha da luz e o do negrume. Escolhemos um deles para toda vida. Não escolhemos andar com Jesus ainda que não o percebamos nos caminhos de Emaús de nossas vidas, mas Ele sempre vai estar lá caso decida com Ele andar. Mas há outro caminho que pode ser um tremendo buraco negro. Vamos andando pelas bordas, achando que aquele atrair é bobo e que nunca vai nos sugar. Mas é como nadar contra a cachoeira, contra as cascatas de Foz do Iguaçu achando que nunca vai cair. E cai. Pois saiu do limiar. E então, o caminho que escolhemos parece sem volta.
Enquanto há respiração, há salvação. Mas entenda: daquele outro caminho de vida, já se perdeu todo o prazer de se pisar as folhas secas, de viver toda aquela diferença prazerosa de se andar com Deus.
Veja o vídeo. Podemos andar em segurança por um caminho ou vivermos ausentes do que Deus tem para nós.

O CAMINHO QUE NÃO ESCOLHI – ROBERT FROST

Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se,
mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.
Assim, por longo tempo eu ali me detive,
e um deles observei até um longe declive
no qual, dobrando, desaparecia...

Porém tomei o outro, igualmente viável,
e tendo mesmo um atrativo especial,
pois mais ramos possuía e talvez mais capim,
embora, quanto a isso, o caminhar, no fim,
os tivesse marcado por igual.

E ambos, nessa manhã, jaziam recobertos
de folhas que nenhum pisar enegrecera.
O primeiro deixei, oh, para um outro dia!
E, intuindo que um caminho outro caminho gera,
duvidei se algum dia eu voltaria.

Isto eu hei de contar mais tarde, num suspiro,
nalgum tempo ou lugar desta jornada extensa:
a estrada divergiu naquele bosque – e eu
segui pela que mais ínvia me pareceu,
e foi o que fez toda a diferença.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A vida muito mais que um livro


         Não sou um personagem fictício. Não sou história para boi dormir. Não sou um personagem plano, convencional, cheio de marasmo de um livro de histórias. Eu sou alguém que Deus criou para algo diferente. Ele tem uma nova história comigo a cada manhã.
Se eu não acreditar nesse referencial bíblico, já não posso criar histórias, vivê-las com intensidade a cada dia – o mal que basta para cada feita. Quando acordo de manhã já penso que entrarei num enredo que Deus já abençoou, e ainda que seja medonho, a epopeia é toda minha, somente minha.
Então, chego a minha casa pela noite, tomo banho, como, vou orar, e começo a rir ou chorar para Deus, dizendo sem palavras sobre aquela situação do dia, que pode ser constrangedora ou não, e percebo que Ele está me ouvindo, rindo ou chorando também, constatando que eu consegui chegar ao fim do conto que ele escreveu.
Vou dormir. Durante a noite Deus digita outra peripécia. O que será dela? Bem sei que no final ela sempre terá o final feliz em consolos de paz.
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.