segunda-feira, 30 de julho de 2012

Uma bola de paintball

          O que eu vou relatar não é nada bom, nem engraçado.

Ao voltar para casa após o culto, enquanto conversava com uma amiga, senti um pouco acima da minha panturrilha, algo como semelhante a um quebrar de um ovo, só que mais forte. Senti dor ao passo que olhei para a pista e vi um carro preto com um delinquente abaixado no banco do passageiro. Era uma bola de paintball. A dor se alastrou junto com a minha indignação quanto àquela retaliação infernal. Senti-me afrontada, até um pouco desprotegida.

Cheguei a minha casa e onde fora o impacto formara uma bola na pele e uma vermelhidão; sai de casa e uma amiga me levou à farmácia para comprar antiinflamatório senão eu não aguentaria dormir à noite. Tratei o que pude e fui dormir sem dor. Quando acordei, fui olhar no espelho minha perna e estarreci. Dobrou dez vezes mais o tamanho do hematoma, colorido de amarelo, vermelho, roxo... Um sol do oriente.

Eu estou enfurecida tal como uma leoa dentro de mim. Pergunte-me se é com a sociedade, a falta de educação, a maldade, a falta de amor ao próximo, o inferno, a falta de proteção policial, esse mundo podre, o desejo do mal em fazer o mal, a violência...

É um furor de vulcão. Não é de choro, é de clamor. Em mim foi uma bola de paintball; em outros, um tiro na cabeça.

Isso me lembra Jeremias que tinha um alvo cada vez maior nas costas por ter o chamado de ser o porta-voz de Deus para subir no telhado e gritar para todo o povo de Israel assim:

- Vão se converter!

Na minha vida já tomei cuspe na cara, vários “não”, mas há algo dentro de mim que me diz não parar, pois o que meu Senhor Jesus sofreu foram dores de muitas e muitas bolas de paintball ao mesmo tempo por causa de mim e dessa humanidade que falei. Se essa é a dor por eu ser quem eu sou nele, vai sempre valer a pena. Valeu para Jeremias. Valeu para Jesus.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A per, perfeição


Vou contar uma coisa feiçoal: Eu não sou perfeita. Nunca serei uma Gisele, nem considero meus lábios de uma Jolie, também sei que não sou uma das primeiras a ser reparada. Sou mulher de Deus, não tenho papo para as comparações. Sei que tudo fica melhor quando cuido de mim, mas sei que perfeição vai além dos estereótipos.
Jesus é o único perfeito que encontrei; ainda que na terra não houvesse nele algo que o considerássemos, contrários àquelas fotos enganadoras de um Jesus europeu de olhos azuis, mas tinha a primazia na graça e do poder de Deus, de modo que nele não se achou pecado algum, e a Glória de Deus o fez revolução na humanidade. O Jesus que hoje vive é mais que perfeito – você verá quando se encontrar com ele.
Todos nós somos assimétricos. Esqueça sua perfeição.
Eu tenho o olho direito menor que o outro. Ninguém percebe porque uso óculos imperfeitos: de um lado miopia; do outro, astigmatismo. Quando vou tirar foto, às vezes, mexo nos olhos, arregalo o direito com a sobrancelha e a situação fica equilibrada como um jogo de futebol empatado.
Tenho uma amiga que tem uma bochecha maior que a outra. Acho que ela nunca percebeu isso, mas para quê? A moça é lindíssima! Quem vai reparar? Eu reparei, mas eu nunca vou contar quem é. Não adianta correr para o espelho agora para saber se é você. Contenha-se. Somos imperfeitas.
Geralmente tenho amigas muito bonitas. Há uma que não vejo faz algum tempo e que por um período estudamos no mesmo local. Seus olhos eram grandes e verdes, dava para vê-los à milhas! Mas ela teve um problema que logo notei: quando ela falava muito rápido, gaguejava, depois respirava fundo e abria um sorriso. Eu ria, sabendo que sua per, perfeição estava na sua graça.
Perfeição mesmo foi o que vi há pouco tempo, ver o bonito do meu trabalho caindo de costas da cadeira. Per, perfeito.
Somos tão per, per, perfeitos... tão, tão, tão humanos, que no fim do dia, eu, você, o artista de cinema, o cantor top das paradas, o Cura, o homem e a mulher de corpo perfeito, o político, o religioso, a Patrícia, a criança e o velho, sempre acabam reinando no mesmo trono diário. E então lembramos claramente que somos todos iguais.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.