sexta-feira, 2 de março de 2012

Sem gasolina

Quando eu não oro, eu sou assim, um carro sem gasolina parado no asfalto sem chegar ao destino final daquele dia. Não se abasteceu, não tem renovo.
Não dá para arrastar a unção que Deus derramou no dia anterior e viver dos respingos na manhã seguinte. O maná que cai do céu a cada dia nunca é bom se reservado para outra manhã.
Orar é “ralação”. Orar é duro para a carne que só quer dormir. A carne vai padecendo, e se o espírito do homem não se levantar, o “bife”, que é fraco, vai dominar na grelha da cama. Bife duro que só quer dormir.
Orar é se atualizar das novas dos céus. Ultrapassa-se o limite do humano para tocar o coração de Deus, descobrir seus meandros, seu mistérios, seus “segredinhos” revelados àqueles que O amam e guardam a sua Palavra: Amá-lo de todo seu coração, de toda sua força, de todo seu entendimento.
Se não oro tenho “tic”. Um aperto. Um respirar ligeiro e ansioso. Sou movida pelo céu, não tenho outro posto de gasolina. Todos os outros são abastecimentos adulterados, emperram meu caminhar com Deus e nunca me fazem produzir para amanhã.
Orar é poder saber o que se deve fazer. Bússola do cristão. Mover os céus, mover a terra, até que algo surpreendente aconteça.
É saciar-se. Mergulhar em águas profundas. É beber água pura em dia quente...
Um dia que perco de oração é mais um dia do meu atraso. E assim como li num estudo de missões, e como sempre repete minha amiga risonha, que um encontro com Deus hoje determinará a natureza do próximo encontro.
Então não resisto. Tenho que orar. 
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Um Felipe trasladado

Num sábado de sol, no parque onde um dia a morte reinou, um jovem abandonado pela sociedade, um Felipe qualquer, revirava os lixos a fim de encontrar latas para vender. Sua camiseta não tinha uma cor definida, talvez verde, mostarda... A sujeira e o corpo molhado não permitiam definição.
Na entrada do campo esverdeado ali Felipe parou. De repente passou por ele uma moça morena de camiseta vermelha e calças curtas com um violão preto na mão; mochila nas costas, óculos escuros. Acabara de ser enxotada pelos seguranças da onde sentara: uma estátua ridícula de um peregrino que não sabia para onde estava para ir de fato. A moça passou por ele pelo que Felipe não resistiu e falou alto:
- Ai, moça! Toca alguma coisa ai! Você toca e eu canto!
A vermelha passou com um sorriso no rosto sem olhar para ele, indo na direção de um banco aonde um senhor sentou para descansar. Assim que ela chegou, repousou a mochila e a capa de seu violão no banco. Virou para o senhor e disse:
- Quer ver que ele vai pedir Legião.
- Ai mina! Toca Legião!
Felipe foi se aproximando a passos calmos da moça de vermelho, pois ela havia chamado ele. Ela disse-lhe:
- Legião eu não toco. Só toco músicas do céu. Vem cá, chega aqui.
Verdade é que a moça foi ali sentar perto do senhor porque estava receosa do rapaz, que na verdade tinha cara de malandro. Ela estava querendo sacar o momento. Disse para que ele sentasse ali no banco com ele, e no mesmo instante um grupo grande de jovens chegou cumprimentando a moça.
- Ai, pessoal, como vai? Esse daqui é o...
- Felipe.
- ...Felipe. Essa galera veio aqui para um piquenique. Tá afim?
- Não, não, to sussegado.
- Tudo bem. Mas antes de você sair daqui quero te contar uma história dos céus... Quer ouvir?
- Claro.
Aquele jovem Felipe começou a ouvir a maior história de amor de todos os tempos. A história do amor de Deus pela sua vida. Por qual Jesus morreu a fim de que fosse salvo para todo sempre, e para que tivesse uma esperança e um futuro, principalmente a esperança de morar um dia com ele nos céus.
Felipe foi trasladado da morte para a vida.
Assim que a moça se despediu dele e Felipe tomava seu rumo, disse a moça:
- Olha, não se esqueça dessa história!
- Não vou esquecer nunca!
- Tá vendo essa grama! Essa é a esperança...
E a moça levantou os braços para os céus:
- De um dia morar com Ele nos céus!

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.