domingo, 26 de fevereiro de 2012

A safra do pescador

Eu sinto cheiro dos peixes. Peixes no borbulho das águas. Aonde eu passar, ainda que por um instante, os peixes estarão com as suas bocas abertas para que simplesmente, os pescadores de almas, lancem o anzol. E a isca, poderosa isca de Deus,venham a pegá-los pelo seu amor.
Todo pescador que se estima planeja durante seu ano a sua safra. Sabe dos períodos certos para a pesca. Os profetas, assim como os pescadores, sabem o tempo e o modo de Deus, os locais dos cardumes, a sensibilidade para lançar as redes. Eles, os profetas, declaram o que de Deus discernem; os evangelistas, matutos e ligeiros, não podem perder tempo no pescar. É rápido, agora, antes que o peixe se espante e dê meia volta.
Tanto o profeta quanto o evangelista são pescadores de vidas. Os dois trabalham juntos, sendo que um aponta onde está o peixe, e o outro, se for preciso, pula na água para não perder o que se ganhou.
Assim será nesses próximos dias. Os anjos já mostraram os seus cestos. Tem peixes com fartura. Também, os céus estão com tantas estrelas que não se podem contar. Quem atentar para ser usado por Deus, não deixará nunca as suas redes em casa.
É tempo de fartura.
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Meu tio Chico Buarque de Hollanda

Chico Buarque de Hollanda é meu parente distante, disse os meus familiares mais antigos. Nunca dei muita corda para o assunto, mas vejo interessante falar, visto que damos tanto valor a nomes como uma âncora de assuntos que talvez nos conceda vantagem.
Não tenho âncora, mas tenho a prosa.
Por volta dos meus treze anos, na casa da minha tia surgiu o assunto sobre o Chico. Ela, com um olhar mesclado de certeza e um tantinho de dúvida por não lembrar claramente quem era raiz de quem, disse-nos que ele era parente nosso. Pelo pouquinho de certeza e um tantinho de dúvida, incredulei e tornei balela.
Anos depois fui visitar um tio avô em São Luís do Maranhão. Comentei o fato rindo, e quanto voltei o olhar para ele, veio àquela mesma cara da minha tia, do apertar dos olhos para se enxergar a raiz. Dessa vez não havia tantinho de dúvida; puxou de si parente por parente até chegar ao cantor. Quase me convenceu de fato. Pode ser que sim, pode ser. Foram tantos filhos de quem... Até entendi a minha tia.
Há tanto Holanda por aí que podemos formar outra nação holandesa! No fundo somos mesmo parentes desconhecidos uns dos outros.
No dia da minha colação de grau da faculdade, enquanto esperava ansiosa meu canudo, outro curso recebia em nossa frente os diplomas. Então ouvi chamarem por uma Holanda. Disse para o colega de sala ao meu lado:
- Olha lá, minha parente.
- Holanda?
- É.
- Que nem Chico Buarque de Hollanda... Você tem algum parentesco?
Foi engraçado. A cabeça afirmou devagar e entrei na mesma vagareza dos meus tios. O rapaz me disse:
- Sangue azul!
Mas não resisti. Da certeza do sangue da realeza que há em mim, disse-o:
- É... Mas não é esse sangue que me salva.
E o rapaz entendeu bem. Muito bem.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.