terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O voo

Esses dias eu sonhei que eu voava nos ares sem asas e podia ir aonde eu quisesse. Como alguém debaixo das águas, impulsionando os braços para cima e para baixo, com o auxilio das pernas, eu subia mais alto e alto.
Acordei com uma sensação incrível de liberdade, achando que eram 11 horas da manhã, pois acordei satisfeita, mas eram apenas 7 da manhã, e me indignei porque acordo aos pedaços em dias de trabalho. Não disse ainda que era o meu primeiro dia de férias, e naquele dia estava prestes a viajar, na noite, para os Estados Unidos.
Meu dia foi muito agitado, ansioso. Antes de entrar na sala de embarque, meus irmãos, cunhadas e amigas se despediram de mim. Minha cunhada Evelin ficou olhando de longe junto com a Emile em sua barriga avantajada quase apontando uma direção. Eu estava com um início de enxaqueca devido ao cansaço e corri para comprar um suco e tomar um comprimido. Liguei para uma amiga. Meu Pai, que ansiedade era aquela. A colega nem pode falar muito, desliguei. Com o suco e o comprimido, sentei no chão da sala de embarque abarrotada de pessoas americanas rosadas e altas e pardas brasileiras. Essa amiga me ligou de novo, eu já estava bem. Batemos um curto papo divertido e esperei o embarque.
A parte mais gostosa do voo é quando o avião se posiciona na pista para correr como ninguém. Percebo um momento com Deus, Ele lá comigo. Quando o pinote da aeronave dá seu pulo é o que Deus tem sem dúvidas para mim. Lembrei-me do sonho. Quis rir e chorar. Então, fiz uma mistura para não assustar e não borrar o rímel no meu momento maravilhoso e profético do voo que se concretizou.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

domingo, 21 de outubro de 2012

Os amigos dos dez anos

Certa feita um grupo de uns 25 adolescentes tiraram uma foto marcante num acampamento que era intitulado mais ou menos assim: Como você estará daqui a dez anos?
Seis anos se passaram e cinco jovens daqueles tantos estavam no mesmo local daquele evento e relembrando jovens que não estão mais na Presença de Deus, muitos estropiados por causa de suas escolhas, e poucos que perseveraram e hoje choram a ausência desses outros.
Há dez anos, ou um pouco mais, estive relembrando dos velhos jovens que um dia viram a manifestação de Deus comigo, e que tinham promessas incríveis! Hoje, muitos deles estão fora da vontade de Deus, agradando seus próprios egos, muitos sem forças para voltar aos caminhos do Senhor. Por esses dias vi algumas dessas pessoas voltando à Presença de Deus, e caindo opressas, sendo libertas, atrasadas demais para aquilo que eram para elas serem hoje.
Quando penso e olho tal problema, oro a Deus para que me mantenha de pé. Ele não me Fez para estacionar, fez-me para correr. Não consigo me ver longe daquilo que Ele quer que eu esteja vivendo, de uma plenitude no Espírito Santo ainda maior.
A minha esperança para essa nova geração (pois me tornei veterana) é que todos prevaleçam até o fim. Não quero ninguém chorando mais. Anseio ver sorrisos de vitórias, cânticos e danças porque até onde chegaremos, Deus nos ajudou. Pelo que não quero ver os meus queridos perdidos nas trincheiras de campanha, antes, ver que o caminho da eternidade e dos propósitos de Deus aqui na terra estão se cumprindo.
Não paremos. Vamos juntos até os próximos dez anos.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O decorador


Deus está alterando tudo por aqui. Ele está trocando os móveis do lugar e jogando fora os que são velhos. Está pintando as paredes de outras cores, está mobiliando e modificando os enxovais da alma que concede que assim o faça.
Tudo está ficando diferente. A primeira diferença é a bagunça que se fez ao tirar os móveis. As teias e as poeiras se ergueram, parece um pandemônio, uma tempestade passando. As mobílias que se arrastam também arranham os ouvidos e a batida das ferramentas e de aço contra aço é quase ensurdecedor. Paro, então, e penso: Meu ser está uma bagunça. Temporária e necessária.
Mas, à medida que os dias passam, os olhos contemplam outra paisagem. Eles se iluminam e podem ver que há uma diferença que grita, permitindo que se volte a respirar.
Os ferreiros já passaram a faxineira já limpou e se foi... Contudo à porta está o decorador. Ele pergunta se ficou bom, e eu digo que ficou além das expectativas. Ele me deixa o seu cartão e me diz que quando precisar Ele estará à disposição. Pago-o com gratidão insuficiente para o que se fez, e passo a viver com a visão do Decorador.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Para que tempestade se Jesus está aqui?


Para quê? Pensei eu quando sai para almoçar nesse dia quente de meados de setembro. Há uma paz tão imensa que só Deus pode conceder essa quietude.
Jesus está no meu barco.
O tumulto das águas que me confrontam só respinga no meu rosto ao bater da borda do meu barco da vida. Jesus está sempre aqui, dormindo... Querendo que eu apenas use da autoridade que Ele me deu de fazer calar as muitas águas.
Que as águas se calem! Cala-te turbilhão!
Não tem como eu me preocupar, não alcanço tal posição. Não sei por que às vezes faço dela uma armadura, sendo ela verdadeiramente frágil e em nada me protegerá. Se Jesus dorme no barco, eu dormirei também.
Eu ando e durmo na sua paz que excedeu meu entendimento. Isso já não se pode explicar, só posso viver e ensinar a muitos que assim vivam, porque assim é mais gostoso viver.
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

domingo, 9 de setembro de 2012

Conselhos de um juvena


Estou ficando velha, meu amigo. Estou ficando velha, mas mantenho a mente juvena e ando com juvenas.
Não subestimo mais quem é mais novo do que eu. Mania besta de alguém que é velho e não se reforma jamais. A mente fresca de um jovem pode fazê-lo errar e levar pessoas ao seu erro também. Contudo, quando o jovem anda nos caminhos do Senhor, esse será um cara ou uma mina que estraçalha as trevas e finca estacas do Reino dos céus.
Estou no meio de uma geração que não é a minha. Sinto-me como Calebe, um velho numa geração de novos, mas um velho que vai viver a promessa e vibrará como uma criança em diversão. Eu viverei todas as promessas que Deus preparou para mim.
A maioria dos meus atuais amigos são tenros; querem estar perto de mim para aprender algo, e eu percebo e dou Glória a Deus por ser um exemplo. Entretanto, de vez em quando me surpreendo com conselhos de uma mocinha que talvez ninguém dê nada por ela; ou do rapaz que quieto e ainda ensina como desejar ainda mais a Deus.
Basta de barreiras que colocamos; um jovem pode ser o que nenhum velho sonhou ser.
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

sábado, 25 de agosto de 2012

Reflexões no surdo


Surdo é um instrumento de percussão que sempre mexe comigo. Todas as vezes que é tocado na adoração é como se houvesse uma retumbância, um chamamento de guerra, de batalha, um rasgar dos céus. Seu som é mais alto do que o bumbo de uma bateria convencional. Entenda o motivo de sua força.
Sempre observei as pessoas que o tocam, elas parecem extasiadas, centradas, entregues ao tocar ritmado de suas batidas. Não querem ser incomodados e não se podem ter momentos de interrupção, eu entendo isso.
A vontade que eu tinha de tocar o surdo era grande. A oportunidade surgiu numa adoração espontânea que o grupo de jovens fez. Cada jovem tocava um tipo de instrumento: canto, palma, cajon, pandeiro, piano, violão, pequenos instrumentos de percussão. Peguei dois pequenos instrumentos, mas percebi que estava intenso, e ousei tocar o surdo.
Ali era intensidade. Quando bati, percebi força, ritmia espiritual. A precisão era essencial para que não houvesse toques errados e dispersasse todos os outros. Meus pensamentos eram o principal alvo para sair dos trilhos, e passei a refletir que qualquer distração era fatal, desde atenção a minha pessoa, soberba, potencial em mim mesma. Entendi o porquê há uma ligação de esvaziamento das pessoas que tocavam o surdo, e entendi que quando há o esvaziar de si, há a batida certa, e muitas outras surgem quando nosso espírito está ligado nos céus.
Descobri então que o meu coração é um surdo.
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O mistério da Pandinha


Meu nome é Vandressa Holanda Gefali, nome firme de se falar, sério de se ouvir. Todas as vezes que alguém me chama pelo nome “Vandressa” vejo alguém muito mais forte do que eu. Meu querido, eu não me acho pelo meu nome, o que não é nada, visto que tenho outro nome nos céus.

Deus algumas vezes me mostra alguns flashs espirituais antes de eu abrir os olhos pela manhã. Certa feita eu vi um lugar do qual não falarei, que apenas de virar o rosto vi que era um lugar sobrenatural que me dava uma impressão de ter outro nome ali que não era o meu do R.G. – Não me pergunte o nome, apenas suspeito.

Mas no meu convívio me chamam de Vandinha. Desde que eu era “pocket” sou assim chamada pela minha família. Levei isso para os amigos, para minha vida, para a igreja, menos para alguns lugares como a universidade e o trabalho. Quando entrei na universidade, uma amiga me falou para que eu não me apresentasse como “Vandinha”, porque eu era a “Vandressa”. Muitos poucos amigos que fiz ali sabiam desse apelido afetuoso.

Além desse apelido, confesso que tenho outro mais infantil que esse: Pandinha. Não tenho cara de um. As pessoas que não sabem da origem desse nome suspeitam “De onde saiu essa bobeira?”. Outros acham graça, não ligo.

Veio em 2004, uma semana antes do acampamento da igreja. Todos os anos nos jantares desses encontros tem um tema do qual todos se fantasiam segundo aquilo indicado. Naquele ano um dos jantares seria da “Arca de Noé”. Eu já estava na última semana de arrumar as fantasias e mal tive tempo de dar um pulo na Ladeira Porto Geral; a grana era pouca, entristeci. Na época estava frio, eu tinha comprado uma gorro branco sem dobras e uma luva baratíssima numa feira ao lado do Sesc Vila Mariana. Estava trabalhando e pensando “do que vou me fantasiar?”. Entrei no banheiro matutando dentro de mim até que me olhei no espelho. A lâmpada se acendeu: “Meu Deus, isso é brilhante!”.

Corri na feira de novo e comprei mais dois pares de luvas pretas que custavam dois reais; também linha e agulha. No meu trabalho não havia nada para fazer; peguei as duas luvas e costurei os dedos para dentro; abri nas costuras, dos dois lados, e costurei as luvas, formando duas orelhas. Coloquei o gorro e virei uma panda.

Na noite do jantar assim me vesti: Cabelo preso, gorro na cabeça, toda roupa preta, luvas também. Vesti por cima da cacharréu preta uma regata branca. E para completar, pancake preto nos olhos e na área dos dois buracos do nariz. Foi algo tão louco que as pessoas viravam para mim, balançavam a cabeça e diziam: “Incrível... Muito criativo”. Então, as pessoas começaram me chamar de “Pandinha” – nem eu me dera conta da troca do “V” por “P” - e até hoje me chamam assim, até quem não sabe da história.

Aproveitei-me naquele ano e escrevi uma peça de teatro infantil para a “Alegria na Rua”. Pena que nunca mais fizemos um re-make; sempre quis fazer melhor do que aquilo que fizemos.

Acho que desabafei com toda essa história de Pandinha, Vandinha, Vandressa e o nome que eu não vou dizer, é lógico, pois é mistério meu com Deus. Deixe, deixe o meu nome lá.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Uma bola de paintball

          O que eu vou relatar não é nada bom, nem engraçado.

Ao voltar para casa após o culto, enquanto conversava com uma amiga, senti um pouco acima da minha panturrilha, algo como semelhante a um quebrar de um ovo, só que mais forte. Senti dor ao passo que olhei para a pista e vi um carro preto com um delinquente abaixado no banco do passageiro. Era uma bola de paintball. A dor se alastrou junto com a minha indignação quanto àquela retaliação infernal. Senti-me afrontada, até um pouco desprotegida.

Cheguei a minha casa e onde fora o impacto formara uma bola na pele e uma vermelhidão; sai de casa e uma amiga me levou à farmácia para comprar antiinflamatório senão eu não aguentaria dormir à noite. Tratei o que pude e fui dormir sem dor. Quando acordei, fui olhar no espelho minha perna e estarreci. Dobrou dez vezes mais o tamanho do hematoma, colorido de amarelo, vermelho, roxo... Um sol do oriente.

Eu estou enfurecida tal como uma leoa dentro de mim. Pergunte-me se é com a sociedade, a falta de educação, a maldade, a falta de amor ao próximo, o inferno, a falta de proteção policial, esse mundo podre, o desejo do mal em fazer o mal, a violência...

É um furor de vulcão. Não é de choro, é de clamor. Em mim foi uma bola de paintball; em outros, um tiro na cabeça.

Isso me lembra Jeremias que tinha um alvo cada vez maior nas costas por ter o chamado de ser o porta-voz de Deus para subir no telhado e gritar para todo o povo de Israel assim:

- Vão se converter!

Na minha vida já tomei cuspe na cara, vários “não”, mas há algo dentro de mim que me diz não parar, pois o que meu Senhor Jesus sofreu foram dores de muitas e muitas bolas de paintball ao mesmo tempo por causa de mim e dessa humanidade que falei. Se essa é a dor por eu ser quem eu sou nele, vai sempre valer a pena. Valeu para Jeremias. Valeu para Jesus.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A per, perfeição


Vou contar uma coisa feiçoal: Eu não sou perfeita. Nunca serei uma Gisele, nem considero meus lábios de uma Jolie, também sei que não sou uma das primeiras a ser reparada. Sou mulher de Deus, não tenho papo para as comparações. Sei que tudo fica melhor quando cuido de mim, mas sei que perfeição vai além dos estereótipos.
Jesus é o único perfeito que encontrei; ainda que na terra não houvesse nele algo que o considerássemos, contrários àquelas fotos enganadoras de um Jesus europeu de olhos azuis, mas tinha a primazia na graça e do poder de Deus, de modo que nele não se achou pecado algum, e a Glória de Deus o fez revolução na humanidade. O Jesus que hoje vive é mais que perfeito – você verá quando se encontrar com ele.
Todos nós somos assimétricos. Esqueça sua perfeição.
Eu tenho o olho direito menor que o outro. Ninguém percebe porque uso óculos imperfeitos: de um lado miopia; do outro, astigmatismo. Quando vou tirar foto, às vezes, mexo nos olhos, arregalo o direito com a sobrancelha e a situação fica equilibrada como um jogo de futebol empatado.
Tenho uma amiga que tem uma bochecha maior que a outra. Acho que ela nunca percebeu isso, mas para quê? A moça é lindíssima! Quem vai reparar? Eu reparei, mas eu nunca vou contar quem é. Não adianta correr para o espelho agora para saber se é você. Contenha-se. Somos imperfeitas.
Geralmente tenho amigas muito bonitas. Há uma que não vejo faz algum tempo e que por um período estudamos no mesmo local. Seus olhos eram grandes e verdes, dava para vê-los à milhas! Mas ela teve um problema que logo notei: quando ela falava muito rápido, gaguejava, depois respirava fundo e abria um sorriso. Eu ria, sabendo que sua per, perfeição estava na sua graça.
Perfeição mesmo foi o que vi há pouco tempo, ver o bonito do meu trabalho caindo de costas da cadeira. Per, perfeito.
Somos tão per, per, perfeitos... tão, tão, tão humanos, que no fim do dia, eu, você, o artista de cinema, o cantor top das paradas, o Cura, o homem e a mulher de corpo perfeito, o político, o religioso, a Patrícia, a criança e o velho, sempre acabam reinando no mesmo trono diário. E então lembramos claramente que somos todos iguais.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

domingo, 24 de junho de 2012

O perfume dos amigos

         Hoje eu me alegrei com uma simples figura na rede social que testificou com uma visão rápida que tive na noite passada, no sábado, durante o grupo de jovens. Mas antes eu vou falar das pessoas amigas e perfumadas da minha vida.

Às vezes um determinado perfume é a cara daquela pessoa. Certa feita, no exterior, uma pessoa muito querida procurava “o seu perfume”. Tinha um nome, tinha a marca. Até que eu perguntei “vocês já encontraram o cheiro dela?”. Deixei a pessoa constrangida, quase sem entender, mas seu esposo disse a ela: “Você viu, Amor, que honra?”. Essa pessoa é perfumada sem ter perfume, porque ela tem o cheiro de Cristo.

Na sexta-feira passada estava saindo do trabalho, entrei no elevador e estava com um cheiro muito bom de perfume igual ao que uma amiga usa, e já se tornou dela. Nem sei o nome da marca, mas é muito bom... Sabe-se que a pessoa está por perto quando vem aquela brisa... Nos pensamentos pensei: “Olha! É o cheiro da fulana!”.

Hoje abracei um amigo. Disse-lhe: “Que cheiro de talco!”. Ele levantou o blazer e disse que era o cheiro de não sei o quê. Enfim, era cheiro do talco Johnson de bebê.

Com todos esses fatos compreendo que um bom cheiro é sempre comentado. O mal-cheiro mais ainda! Esses dias eu peguei o metrô, tarde da noite, e havia uma torcida. Meu Pai,  tinha um cheiro de cecê alastrando o ar. Sai de lá inconformada. Ainda bem que eu torço pra outro time.

Mas com todos esses relatos, tenho que falar o que vi ontem enquanto adorávamos a Deus. Vi uma prateleira com vários frascos de perfume, cada um de uma cor, todos juntos no mesmo lugar. Perguntei para Deus o que aquilo significava, mas não obtive a resposta nesse sábado. Ao término dos jovens, fui à um restaurante e rimos como nunca, lembrando das peripécias do nosso grupo.

Hoje pela manhã entrei na rede social. Vi o tal desenho animado com um versículo que foi a resposta de Deus:

“Assim como os perfumes alegram a vida, a amizade sincera dá ânimo para viver” Provérbios 27:9

Eu chorei. Vi Deus falando comigo. A resposta foi clara. Somos frascos de perfume na mesma prateleira dos céus, escolhidos por Deus para dar Seu bom perfume, o bom cheiro de Cristo, a perfumar, segundo sua essência especial. Espero que a gente nunca perca esse frescor.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Pancada na pederneira

Quem pode suportar uma pancada de palavras, pode se considerar cara de pederneira. Uma rocha, um resistente. Nunca será delicioso ouvir a verdade e agüentar o chicote no couro da criança levada que somos ainda que a rocha fale e se mova. Não se mova e nem fale se for uma pederneira.


A rocha massacrada fala sem fala, testemunha só no brilho do sol – queima e serve como fortalecimento. Ou, não serve de nada, como uns assim a vêem sem serventia, esses que assim pensam em suas vidas que se limitam aquilo que se sabe.


O Criador da pederneira a fez mais forte que outras matérias naturais para que o homem a observe, e pense, e chegue ao entendimento do que Ele tem para falar a cada manhã, a cada saraivada de balas contra nós, a cada ataque sutil, a cada palavra maldita e inútil que lançam contra nós.


Pederneira... Não tem mais forte que ela.


Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Os galhos secos que cantam galhos secos

Há uma canção de quando me converti que remete a minha transformação em Deus. Todas as vezes que escutava “Galhos Secos”, e uma vez marcante foi num monte, o Senhor falava tão fortemente em meu coração que eu não consegui mais esquecer.



Certa vez ao terminar uma história usei essa música no texto. A letra é uma poesia forte que se ligava ao fato. Tive o contentamento da escolha, ainda que não soubesse de quem era a música.


Mas, ainda esse ano, eu vi um dos vídeos mais vistos – a família que cantava “Galhos Secos” de uma maneira engraçada, e, ao passo que presenciei, também me frustrei e pensei: “Cacilda, acabaram com a música”. Foi tão estrondoso que a família passou a aparecer em diversos programas de rádio e televisão, e me parece que não foram mais os mesmos. Então, outros começaram a cantar essa música, mas de maneira tão banal que me doía de ver. Pensei:


“Estes são os galhos secos que cantam “Galhos Secos”. Se tão somente prestassem a atenção na letra...”.


Para mim essa música nunca será banal, cançãozinha de programinha de auditório do domingo seco de muitas vidas, dos momentos curtos de alegria... Enfim, nunca será canção da sequidão, mas a canção dos galhos secos que um dia floresceram e podem jubilar diante da chuva que Deus envia sobre a terra seca. E tudo isso, meus queridos, para a nossa alegria.


Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Meses depois... Na Índia

Chega a ser piada toda vez que conto esse fato. Fui a uma missão na Índia. Esse país era o último lugar do mundo que desejava pisar desde que tive um confronto prévio a respeito. Já sabia que iria para lá, mas dei uma de Jonas e quis embarcar num barco para uma suposta Társis, deixando de lado essa Nínive.

Num culto de manhã, perto do seu término, lá do púlpito o pastor falava dessa viagem missionária e que a igreja viajaria com um grupo. Estava no fundo da igreja ao lado de uma amiga que virou para mim meigamente com o pescoço inclinado e me perguntou:

- Vandinha... Você vai pra Índia?

Prontamente respondi:

- Não, não. Eu vou pra oooooutro lugar.

Meses depois...

No banco da frente de uma Van, apertadas ao lado esquerdo do motorista indiano, estávamos eu e essa amiga balançando para lá e para cá nas ruas repletas de mulheres de vestes coloridas e homens de camisas xadrezas, calças jeans e papetes, todos de pele escura e balançando de vez em quando o pescoço de um jeito que só os indianos sabem fazer. Uma parte do pessoal da nossa equipe estava no banco de trás da Van e falava sobre outra viagem da igreja. Essa menina vira para mim, de novo, com aquele pescocinho, e me faz aquela pergunta de novo, se eu iria àquele lugar que falavam. Veio-me um filme na cabeça. Olhei-a uma vez séria, depois outro mais afiado e disse à figura:

- Porque você me faz essas perguntas?!

Ela deu risada. Por esses dias tive outra situação com ela, mas vou deixar para contar em outra oportunidade. O que acontece é que prefiro não ficar muito perto dessa amiga, tenho o receio engraçado que ela pode me enviar aonde talvez eu não queira, mas que Deus sempre quis que eu estivesse. Enfim, estarei sempre, certamente, aonde a boca de um profeta de Deus declarar.


Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sem gasolina

Quando eu não oro, eu sou assim, um carro sem gasolina parado no asfalto sem chegar ao destino final daquele dia. Não se abasteceu, não tem renovo.
Não dá para arrastar a unção que Deus derramou no dia anterior e viver dos respingos na manhã seguinte. O maná que cai do céu a cada dia nunca é bom se reservado para outra manhã.
Orar é “ralação”. Orar é duro para a carne que só quer dormir. A carne vai padecendo, e se o espírito do homem não se levantar, o “bife”, que é fraco, vai dominar na grelha da cama. Bife duro que só quer dormir.
Orar é se atualizar das novas dos céus. Ultrapassa-se o limite do humano para tocar o coração de Deus, descobrir seus meandros, seu mistérios, seus “segredinhos” revelados àqueles que O amam e guardam a sua Palavra: Amá-lo de todo seu coração, de toda sua força, de todo seu entendimento.
Se não oro tenho “tic”. Um aperto. Um respirar ligeiro e ansioso. Sou movida pelo céu, não tenho outro posto de gasolina. Todos os outros são abastecimentos adulterados, emperram meu caminhar com Deus e nunca me fazem produzir para amanhã.
Orar é poder saber o que se deve fazer. Bússola do cristão. Mover os céus, mover a terra, até que algo surpreendente aconteça.
É saciar-se. Mergulhar em águas profundas. É beber água pura em dia quente...
Um dia que perco de oração é mais um dia do meu atraso. E assim como li num estudo de missões, e como sempre repete minha amiga risonha, que um encontro com Deus hoje determinará a natureza do próximo encontro.
Então não resisto. Tenho que orar. 
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Um Felipe trasladado

Num sábado de sol, no parque onde um dia a morte reinou, um jovem abandonado pela sociedade, um Felipe qualquer, revirava os lixos a fim de encontrar latas para vender. Sua camiseta não tinha uma cor definida, talvez verde, mostarda... A sujeira e o corpo molhado não permitiam definição.
Na entrada do campo esverdeado ali Felipe parou. De repente passou por ele uma moça morena de camiseta vermelha e calças curtas com um violão preto na mão; mochila nas costas, óculos escuros. Acabara de ser enxotada pelos seguranças da onde sentara: uma estátua ridícula de um peregrino que não sabia para onde estava para ir de fato. A moça passou por ele pelo que Felipe não resistiu e falou alto:
- Ai, moça! Toca alguma coisa ai! Você toca e eu canto!
A vermelha passou com um sorriso no rosto sem olhar para ele, indo na direção de um banco aonde um senhor sentou para descansar. Assim que ela chegou, repousou a mochila e a capa de seu violão no banco. Virou para o senhor e disse:
- Quer ver que ele vai pedir Legião.
- Ai mina! Toca Legião!
Felipe foi se aproximando a passos calmos da moça de vermelho, pois ela havia chamado ele. Ela disse-lhe:
- Legião eu não toco. Só toco músicas do céu. Vem cá, chega aqui.
Verdade é que a moça foi ali sentar perto do senhor porque estava receosa do rapaz, que na verdade tinha cara de malandro. Ela estava querendo sacar o momento. Disse para que ele sentasse ali no banco com ele, e no mesmo instante um grupo grande de jovens chegou cumprimentando a moça.
- Ai, pessoal, como vai? Esse daqui é o...
- Felipe.
- ...Felipe. Essa galera veio aqui para um piquenique. Tá afim?
- Não, não, to sussegado.
- Tudo bem. Mas antes de você sair daqui quero te contar uma história dos céus... Quer ouvir?
- Claro.
Aquele jovem Felipe começou a ouvir a maior história de amor de todos os tempos. A história do amor de Deus pela sua vida. Por qual Jesus morreu a fim de que fosse salvo para todo sempre, e para que tivesse uma esperança e um futuro, principalmente a esperança de morar um dia com ele nos céus.
Felipe foi trasladado da morte para a vida.
Assim que a moça se despediu dele e Felipe tomava seu rumo, disse a moça:
- Olha, não se esqueça dessa história!
- Não vou esquecer nunca!
- Tá vendo essa grama! Essa é a esperança...
E a moça levantou os braços para os céus:
- De um dia morar com Ele nos céus!

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A safra do pescador

Eu sinto cheiro dos peixes. Peixes no borbulho das águas. Aonde eu passar, ainda que por um instante, os peixes estarão com as suas bocas abertas para que simplesmente, os pescadores de almas, lancem o anzol. E a isca, poderosa isca de Deus,venham a pegá-los pelo seu amor.
Todo pescador que se estima planeja durante seu ano a sua safra. Sabe dos períodos certos para a pesca. Os profetas, assim como os pescadores, sabem o tempo e o modo de Deus, os locais dos cardumes, a sensibilidade para lançar as redes. Eles, os profetas, declaram o que de Deus discernem; os evangelistas, matutos e ligeiros, não podem perder tempo no pescar. É rápido, agora, antes que o peixe se espante e dê meia volta.
Tanto o profeta quanto o evangelista são pescadores de vidas. Os dois trabalham juntos, sendo que um aponta onde está o peixe, e o outro, se for preciso, pula na água para não perder o que se ganhou.
Assim será nesses próximos dias. Os anjos já mostraram os seus cestos. Tem peixes com fartura. Também, os céus estão com tantas estrelas que não se podem contar. Quem atentar para ser usado por Deus, não deixará nunca as suas redes em casa.
É tempo de fartura.
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Meu tio Chico Buarque de Hollanda

Chico Buarque de Hollanda é meu parente distante, disse os meus familiares mais antigos. Nunca dei muita corda para o assunto, mas vejo interessante falar, visto que damos tanto valor a nomes como uma âncora de assuntos que talvez nos conceda vantagem.
Não tenho âncora, mas tenho a prosa.
Por volta dos meus treze anos, na casa da minha tia surgiu o assunto sobre o Chico. Ela, com um olhar mesclado de certeza e um tantinho de dúvida por não lembrar claramente quem era raiz de quem, disse-nos que ele era parente nosso. Pelo pouquinho de certeza e um tantinho de dúvida, incredulei e tornei balela.
Anos depois fui visitar um tio avô em São Luís do Maranhão. Comentei o fato rindo, e quanto voltei o olhar para ele, veio àquela mesma cara da minha tia, do apertar dos olhos para se enxergar a raiz. Dessa vez não havia tantinho de dúvida; puxou de si parente por parente até chegar ao cantor. Quase me convenceu de fato. Pode ser que sim, pode ser. Foram tantos filhos de quem... Até entendi a minha tia.
Há tanto Holanda por aí que podemos formar outra nação holandesa! No fundo somos mesmo parentes desconhecidos uns dos outros.
No dia da minha colação de grau da faculdade, enquanto esperava ansiosa meu canudo, outro curso recebia em nossa frente os diplomas. Então ouvi chamarem por uma Holanda. Disse para o colega de sala ao meu lado:
- Olha lá, minha parente.
- Holanda?
- É.
- Que nem Chico Buarque de Hollanda... Você tem algum parentesco?
Foi engraçado. A cabeça afirmou devagar e entrei na mesma vagareza dos meus tios. O rapaz me disse:
- Sangue azul!
Mas não resisti. Da certeza do sangue da realeza que há em mim, disse-o:
- É... Mas não é esse sangue que me salva.
E o rapaz entendeu bem. Muito bem.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.