domingo, 16 de outubro de 2011

O Tâmisa era o nosso Tietê

“Porque há esperança para a árvore, que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos”. Jó 14:7
Paulistanos! Há esperança para o Rio Tietê!
Pode um rio cortado de sua pureza ser restaurado a ponto de ser lugar turístico, via de barcos e passeios de verão? Como não?! Basta um pouco de vergonha na cara e muita esperteza se quiser que isso aconteça. Não vou me aprofundar em quem deve mexer nisso e todos nós já sabemos. Só quero falar da esperança, a âncora da alma.
Naveguei pelo rio Tâmisa em Londres, e quem vai lá não diz que o rio foi poluído um dia. Quando voltei para o Brasil me perguntaram se es


tava muito fedido. Disse que não, e o rapaz estranhou. Depois, um engenheiro com quem trabalho me disse que o despoluíram e o fizeram ponto turístico. Um bom investimento.
Tempos atrás vi numa capa de revista que o Rio Tietê tem esperança. Não dei muita atenção, achei lorota. Mas depois que descobri isso pude ver que a coisa do ser humano, do homem, é não ver onde pode se enxergar algo melhor.
Algo pode mudar daqui para frente, meu querido. Algo muito especial pode acontecer com o Tietê. E já que eu posso declarar...: “Que assim seja...”.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração

sábado, 15 de outubro de 2011

Aproveite o dia...

...O dia que Deus te deu, como eu e minha irmã Vanessa. O proveito lícito, o proveito de brincar, e saber que Deus está em tudo aquilo.
No verão de 2004 encontrei-me numa manhã de sol com minha irmã nas catracas do metrô República. Fomos até a Rua Augusta e tomamos um açaí na tigela na sorveteria do sorvete de soja. Subimos a pé, sempre conversando, e de tanto falar nem vimos o tanto que andamos: Augusta, Paulista... depois descemos a Brigadeiro Luís Antônio até o Parque do Ibirapuera; alugamos bicicletas por duas horas – metade andando, metade respirando.
Enfim, terminamos.
Subimos a Brigadeiro para pegarmos o metrô. Na metade do caminho vimos um labrador clarinho junto ao dono sentado na porta de um bar fuleiro. Fomo brincar com o bichinho que nos recepcionou com lambidas e pequenas mordidas que foram aumentando até que ele mastigou o meu braço inteiro. Senti-me um patinho de borracha dolorido pelos afagos. Minha irmã melhorou a situação: precisava limpar meu braço com álcool; ele pegou vinagre no bar. Finalmente, senti-me uma salada.
Fomos rápido para o metrô. Despedimo-nos e fui até o Tucuruvi para o ensaio do Street Dance no quintal da casa de uma amiga. Mais duas horas.
Fui rápido para a casa, tomei um banho e corri para frente de minha igreja encontrar minha amiga que não é azul, mas é blue e quase japonesa, para irmos à apresentação do “Kirk Franklin and The Nu Nation Choir” no Credicard Hall. Dancei o tempo todo; era impossível ficar parado. Perdi dois quilos naquele dia só de brincar e dançar.
Diga-me como não agradecer por esse dia, ainda que seja chuva ou sol.


Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O estudante inglês

Por duas vezes vi este personagem no metrô londrino. Na escada rolante, logo atrás de mim, um menino de uns nove anos tendo em seguida a sua mãe que o instruía num sotaque britânico tão agradável que ao lembrar parece que escuto a sua voz. O menino apenas ouvia introspectivo. Outrora, um rapaz de quatorze anos estava encostado a um canto do vagão, olhando para fora as casas geminadas da periferia.
Um estudante inglês veste-se assim como nos filmes que assistimos no Brasil. Ternos escuros e gravatas listradas na diagonal, vermelha e outra cor. Vermelhas também são suas bochechas como que borrifadas numa pele branca, tão branca como a cútis das mulheres das canções de amor dos trovadores. Vermelho e branco.
Em nenhum dos dois vi momentos de alegria ao pouco de suas vidas que filmei. Nem medo ou coragem, nem alegria ou tristeza, como em alguns filmes. Foi só o que vi.
Também a caminho da Oxford Street, vi do segundo andar do ônibus muitos formandos passando para a sua colação de grau naquela via cheia de escolas superiores. Suas becas pretas com a faixa lilás eram similares a que usei na minha vez. Neles não havia nenhuma euforia “brazuca” de mais uma conquista de um alvo atingido. Apenas um momento.
Da imagem do estudante inglês fica a figura. Faz-me lembrar que um pequeno momento, ainda que curto, deve ser curtido. Assim como meus instantes na cidade inglesa, em cada ponto turístico que pisei. Talvez um dia escreva mais sobre outras trivialidades britânicas, não aqui, pois são coisas demais.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.