quarta-feira, 20 de abril de 2011

A cutucada

Quem é que te cutuca? No metrô, no ônibus, no trânsito incontrolável de uma metrópole, na internet e até o pri, pri dos passarinhos... Quem é o louco que te cutuca?
Com o que te cutucam? Com a pontinha irritante dos dedos, com um leve sorriso sarcástico, com a porta do elevador, pois você quer subir ou descer... No metrô, lugar mais concreto da massa popular paulistana até as bolsas enormes das mulheres te cutuca.
No abstrato círculo social da internet cutucamos a quem queremos bem e a quem temos mais afinidade. Mas tem horas que cansa. Portanto dizemos para que vá catucar o nariz.
No fundo, cutucar é machucar levemente alguém a fim de atrair a sua atenção. Se disserem que foi sem intenção, parte-se para a leve irritação que o inferno causa, querendo tirar a sua paz. Às vezes nem a gente se liga que é a ponta do Zé do Garfo futucando. Sempre achamos que não, e lutamos com o que é carnal.
Veja: Sempre quando alguém cria uma situação de deboche e nos voltamos a ela com irritação, aquela pessoa sempre o oprimirá ainda mais. Querem tirar a paz.
Tive a minha atenção voltada por Deus nesse aspecto quando vi uma situação dentro do elevador, como mencionei acima. O Senhor não precisou falar “É isso”. A cena foi uma dica Dele. Naquela mesma noite meu Pastor falou justamente sobre o mesmo assunto.
Seja qual for a cutucada, assim como Paulo que tinha um espinho na carne, saiba que até nisso Deus trabalha, para que o Seu poder se aperfeiçoe em nossas fraquezas.
 
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ai de mim que não sou romântica

O ano passado eu escrevi uma poesia que para mim foi arrebatadora, uma profecia. Era uma continuidade de uns versos que criei há dez anos e só conclui agora. Lembro que fiz uma baita elaboração; tinha o conteúdo, investi na forma. Até pedi ajuda para a minha professora, que é uma pessoa incrível e amante de João Cabral de Melo Neto, porque participaria do concurso de poesia da universidade e precisava de um olhar mais aguçado, mais crítico.

Terminei a poesia e enviei com pseudônimo, pois os selecionadores não queriam saber quem eram os artistas, para que não houvesse privilégios de um ou de outro.

Enfim, chegou o dia do concurso. Vi que a minha professora me viu de longe, junto com alguns colegas de sala, e sorriu amigavelmente. Mas, ao vê-la folhear as dez mais, que os outros dois professores selecionaram, vi que seu sorriso desapareceu.

Logo vi. Eles não escolheram a minha poesia. E não escolheram mesmo.

Na aula seguinte, a professora comentou sobre o evento, e indagou o porquê da minha poesia não ser escolhida. Mas, por uma análise minha, de todas as outras que ouvi, logo conclui:

- É porque eu não sou romântica.

O Romantismo... Movimento que deu tanta ênfase ao declarar seus amores que deixou a razão de lado. Amar até a morte, até que os separe ou os una de vez... Papo furado. Primeiro que depois de mortos ninguém se dará por casado. Lá, o lance é outro.

Não quero agredir um movimento que lançou de vez a estrutura do romance (que é uma história mais longa, com começo, ápice, e fim – não precisa necessariamente falar da paixão de um homem e uma mulher, mas também de uma aventura, qualquer que seja o tema), mas só quero declarar o que sinto, e se tem emoção dentro de mim, ela não parte para o romantismo.

Então declaram: “É porque você não é casada”. Não sei dizer o que seria caso fosse, mas eu vivo de hoje, e o meu agora é declarar...

Difícil é ver profeta romântico. Antigamente eles arrancavam, derrubavam e faziam de novo, ou diziam o que tinha que ser falado. Até certo profeta, que perdeu a mulher, foi ordenado por Deus que ele não chorasse. Chora não.

Talvez eu me englobe nesse entendimento profético, não aos recantos da minha alma, do massagear do ego, do satisfazer a minha vida sem equilíbrio algum. O amor não é desequilibrado, cego, não atento; não se joga na ponta do abismo, mas antes tira a quem ama dali.

Talvez um dia escreva versos românticos, mas sempre quero lembrar-me de manter os meus pés no chão. Isso não é medo, não. Quem ama nunca perde a cabeça, sabe muito bem o que falar. E com razão.

Ai de mim? Que nada. Coloquei só para ilustrar.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A invisibilidade

Depois de ouvir um relato sobre invisibilidade num domingo pela manhã em minha igreja, passei a entender que isso não é somente dom de super-herói de HQ. Vi que era algo bom e extraordinário, visto que não é qualquer pessoa que agüenta ser invisível aos olhos dos outros.

A questão da invisibilidade é que o homem deixa de ser exaltado no momento em que Deus o usa, e o foco estelar passa a ser o próprio Deus. Um bom exemplo dado sobre isso, naquela manhã, é quando um pai chega de carro na porta de casa, e a mãe lá dentro do lar pergunta ao filho quem está lá fora, e o filho diz: “Não é ninguém, é só o pai!”.

Seria muito doloroso, com certa tensão de rejeição, ver-se num parâmetro como esse. Contudo, é exatamente esse o objetivo: quando nos apagamos, a Glória de Deus toma o nosso lugar. No tocante a honra, é uma questão que deve, acima de tudo, ser computado por Deus, pois Ele se lembra de tudo.

Começa-se a perceber na vida que Deus nos deu, é muito mais que nós mesmos. Quando fazemos algo cujo foco é os céus, os refletores se apagam de nós e se dirigem a Ele. Mas, no silêncio do palco, sempre vem o presente de Deus.

Eis um segredo de Deus: quando nos jogamos para o Pai, Ele nos joga para cima. Portanto, o não reparar, o não reconhecimento, a não aprovação, entre outras coisas que passam por cima de nós, ou entre nós, como se fossemos nada, é bom que se comece a reparar que, você está ficando invisível.

Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração.

domingo, 10 de abril de 2011

O velho e Deus no quiosque do café

Estive a andar em minha casa numa manhã qualquer e lembrei-me de uma ocasião da qual jamais vou esquecer. Rememorei um senhor, já velho e perto do fim dos seus dias, que contava histórias intermináveis de sua vida, enquanto permanecia sentado num baquinho de um quiosque de café num shopping de Florianópolis.


Parei ali por causa do cheiro, sentei-me com o interesse principal de um café delicioso, mas me fixei naquele homem, e tudo o que vi foi armar a isca sutil perto de um peixe agitado pela vida. Pedi meu café, e observei um homem que o escutava que o ignorou e partiu, chamando-o de louco pelo não-verbal. Passei a dá-lo atenção, buscando de alguma maneira falar do amor de Deus para ele.


Vi que os erros de sua vida eram o peso maior das suas histórias. Ele dizia: “Ih, minha filha, eu não tenho jeito não. Já fiz muita coisa errada na minha vida”. E eu o dizia: “Que isso. Tem sim”. E falou, e falou... Passei a ficar entediada, não por sua fala, mas porque a minha oportunidade estava passando entre os dedos.


Chegou um rapaz. Um rapaz meio gordinho. Entrou na conversa. Disse ele que havia se apaixonado por uma gaúcha, e gre,gre,gre... Gregório. No meio de tudo aquilo eu só precisava de uma fresta de luz, só uma... Apenas uma pequena abertura da porta, que pudesse atravessar meu braço a fim de puxá-lo, o senhor peixe, para fora do seu mundo culposo. A fresta veio. A namorada do rapaz chegou, apresentou-a ao senhor, mas distraíram-se dele por um instante; meu povo começou a se movimentar a metros dali dando sinais que estavam para sair; meu café acabou; é agora.


- Eu preciso ir, mas não vou sair daqui sem que o senhor saiba que Deus perdoa os seus pecados, por mais que tenham sido muitos, e que Ele quer entrar em sua vida. O senhor O quer?


- Sim.


E aquele senhor, com os olhos emaranhados, fez uma oração de entrega da sua vida ao Senhor Jesus.


Ao lembrar-me desse fato , que já faz uns bons cinco anos, pude ouvir a voz de Deus: “Ele está comigo”. Respirei de alívio. Lembro na época que chorei tanto ao contar aos meus amigos o que aconteceu naquele quiosque do shopping como se fossem mil pessoas a serem salvas para Deus. Mas, naquele dia eu sei que, aquele senhor valia mais que o mundo inteiro.




Vandressa Holanda Gefali



direto desta geração.