segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Volver

Já andei muito triste por ai, falando besteira, espetando as bestas. E, não compreendida que somente queria um abraço...
Abraços curam.
Quando fui morar na California,  carreguei uma série de bagagens não resolvidas. Desejava mandar uns raios em São Paulo, balançar as sandálias, não olhar para trás. Mas as coisas mal resolvidas queriam me trazer de volta, e aquele osso de galinha na garganta eu tive que cuspir.
Cuspi. Foi ótimo.
Talvez outrora não era o momento certo. Um ambiente turvo, as ondas contrárias. Com tudo mais brando foi muito suave, e meu choro rolou. Uma onda de Tsunami.
E me curou.
Escrevi cartas, falei na cara das pessoas todas as minhas mágoas  e um peso saiu de dentro de mim. Narrei o melhor possível. Fui tão sincera quanto uma criança.
Pode ter doido lá. Desculpe.
As sombras doloridas afastavam-me, então corri contra o vento na direção delas, e quando entrei no meu imaginativo corredor polonês, todos me abraçaram. A cura veio, o céu desblindou. Meu Deus, foi muito bom.
E outros hematomas, que ainda me doem, sim passarão. Ouvi falar que no céu dos céus não haverá choro nem pranto. Aguardo aquele dia onde as pancadas não mais existirão.

Enquanto isso, saro com Salonpas divino mesmo.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Preciso Dizer te Amo 

Não direi "Eu te amo" com tanta facilidade a alguém como se eu pedisse licença dentro do metrô embora até isso as pessoas não façam mais. O amor em seus três pilares pelo que vejo é caso sério de assinatura espiritual. Se não escrito de coração é apenas palavrinhas passageiras de lábios que enganam a si mesmo. É isso que não quero, portanto, se eu digo "eu te amo", é porque é verdadeiro. 
Tal reflexão veio quando um preletor disse: "Diga a Jesus que você o ama". Então desbaratei no reflexo da vida... "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama". Essas foram as palavras do Mestre. Portanto, se o sujeito diz: "Te amo, Jesus", e logo peca por mentira, difamação, ira, quer seja o roubo (pois todos são pecados no mesmo nível), logo não ama Jesus. Exposto a ideia me quebranto, reconheço minhas fraquezas. Por amor a Jesus, quero cumprir os mandamentos. 
Eu te amo, Jesus. 
Caminho mais algumas milhas e me deparo com o próximo. Ele está logo ali me empurrando com a barriga cheia de lamentos da vida, incomodando a santa paz de Deus"Ame o teu próximo como a ti mesmo" fica vago quando além da pança tem um umbigo saliente. "Amar coisa nenhuma! Vai se catar!". Como amar com tudo isso? Amar pelúcia é fácil. Árduo é amar a quem chamamos encarnação do mal. O meu ser não entende até passar pelas portas da percepção do coração de Deus.  
Aprendi que o profeta fixa o olhar nos olhos da pessoa. As pessoas querem desviar o olhar (pois estão nos olhos o segredo das pessoas). Por vezes chorei em espírito porque entrei  nos segredos delas como o mineiro entrando em uma mina de diamantes. Chorei com elas no momento que entrei em seus poços e a visão de pança e umbigo desapareceram. 
Te amo, irmão. 
Deus é tão amor que fez um protótipo entre o homem e a mulher. Isso é um efeito químico, o corpo reage diferente quando batemos os olhos em alguém. Você sonha com a pessoa, faz tudo por ela, quer ver todos os dias e confunde até os próprios sentidos. Dá até malemolência. Se você já sentiu isso, sabe o que é bom. E, quando se junta tudo isso descobrimos que é amor. É Deus mostrando que amar é puro e rico, suporta tudo e se sustenta. Não se engana, confirma-se.  
De todas as facetas do amor, que proves tu, e, dpreferência, diga a verdade. 
Vandressa Holanda Gefali 
Direto desta geração. 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Mais um Romance

Amanhã mais um desafio literário começará na minha vida. É um evento global de escritores do mundo todo que escreverão mais de 50.000 palavras de suas histórias durante o mês de novembro. Cada dia registrarão a quantidade de palavras elaboradas, e talvez morram de tédio por faltar célula dramática em seus enredos. É, eu sei o que é isso.
Há um ano atrás participei do mesmo evento e registrei 66.000 palavras e ainda não conclui a história. Entrei num parafuso louco e criei uma marionete desengonçada que precisa de reajustes para que se torne uma invenção de Hugo Cabret. Não desisti do projeto, claro, mas as ideias vibrantes para outros textos surgem dia a dia, como um ser que vai te seguindo clamando para que exista.
E eis um projeto novo me veio à mente, porque não, de tirar uma das minhas cartas na manga literária. Ideia pousada na pasta, de vez em quando matutada sobre a história de um músico. O início da ideia e os primeiros parágrafos já havia esboçado, dando o tom da voz do protagonista. Fui maquiando com o tempo, não esbocei mais o enredo, mas a ideia pairava dentro de mim. Talvez não houvesse começado por medo ou preguiça. Os encaixes da trama que não poderiam ser minguadas e muitos personagens precisariam ser firmes e fortes como o protagonista. Dei à minha criatura um nome que é tão vivo que aquele que ler acreditará que ele existiu.
Abertas algumas coisas, eis o romance quase histórico. Não sei muito sobre esse cenário da minha história, mas tenho uma grande imaginação criada por Deus. Espero Nele que essa história boa, por mais fictícia, torne-se realidade.
Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Celular – O Ramster Moderno

Telefone celular tem curta vida até menos que um gato e um cachorro. Posso comparar com o sopro de vida de um ramster. Em casa tivemos um que não durou meses. Mas a curta vida do nosso tamagotchi moderno é o sinal de liberdade, já que estamos tapados, e nossa vida entrou na laia do fim. Nós dependemos de algo que na verdade nunca precisaríamos depender.
Não, não mate o seu celular. Ele ainda é útil para encontrar lugares, comunicar-se com mais facilidade com as pessoas que conhece e ainda anunciar os seus trabalhos (trabalhos!) Nas redes sociais. Mas, para mim, essa parafernália toda cansa a mente nas coisas erradas, como aqueles livros de desenhos inúteis que as mulheres cansadas usam nas tardes do “não sei o que fazer”. A Juliana, personagem de Eça de Queirós em “O Primo Basílio” também tinha esses enfados, então mergulhava no nada dos livros românticos no estilo Sabrina – isso deu asas para seu pecado – e a consequência não foi nada boa. O celular é essa Sabrinada também.
Esses dias meu celular quebrou na entrada de carregamento. Ok, “mini USB”. Eu sou aquela pessoa que tem o bicho de estimação até que ele morra de velhice, e não deu outra com esse pobre velho de poucos Gigas. Quando vi que eram suas últimas forças, mandei mensagem aos necessários, e deixei ele padecer no leito da gaveta. Fiquei tão feliz, queria tanto matar aquele Whatsapp de alguma maneira, e por mais que ele me ajudasse a anunciar meus textos, aquilo cansava. E o pior, não conseguia me desligar daquilo.
Então, morreu, aleluia!
Um sentimento muito bom pairou em mim. Não queria outro celular de cara, e fui anunciando minhas crônicas por outros meios. Por mim, não teria outro. Talvez nem tenha esse ramster que corre e corre em sua roda e não leva o sujeito a lugar nenhum, e pior, leva consigo a todos nós.
  Vandressa Holanda Gefali
Direto desta geração

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Pedra no Caminho, Papel Pautado e Joquempô

No meio do meu caminho havia uma pedra, tinha uma barreira no meu caminho literário. Havia uma muralha! Nunca me esquecerei dessa luta diante do enredo. Nas minhas vistas com dois graus diferentes, um estrábico e outro míope, não vou me esquecer que diante de mim, naquela época de escola, havia uma folha quadrada e pautada e uma única e sempre presente sentença: "Um gato está sentado no tapete”, E dali em diante, o que seria?
A professora tirava do armário aquele bolo de folhas quadradas, lançando cada folha em cada carteira como a cartada final de um jogo, agora vocês perderam, jovenzinhos. Ela entregava sua deixa, narrem sobre as férias, sobre a vida, sobre o que vocês quiserem.
Então, vinha um gato em minha mente. O caramba do gatuno que dormia no tapete e só. O felino safado como todo igual que nem se move por 16 horas porque precisa recompor as forças porque a caçada aos ratos seria uma epopeia da gataria.
Eu não pensei em tudo isso. Eu apenas imaginava o bicho deitado no tapete e esperando o mundo desabar numa encosta. O leite do lado, a vida tosca da outra. Mas também não pensei em tudo isso. A imagem não saíra daquele retângulo do tapete do gato elipsado, chamando-me para dizer além. A pequena estória e eu fomos crescendo juntos, lado a lado junto ao frio na espinha, uma agonia pequena de não sair da folha quadrada. Eu era o gato deitado no tapete. Eu elipsava em meu senso criativo.
Com o tempo, a pedra diante de mim, a barreira, a muralha ficou retangular, e eu descobri que o fim do quadrado literário era a porta, que em cada linha foi sendo quebrado, formando a nova estorinha do gato no tapete...
O gato no tapete em seus sonhos de telhado encontrou-se com o cachorro da vizinha e eis a confusão. Na beirada do caminho, o gatuno, arrepiado e expondo todos os seus canivetes nos dentes e nas garras, foi encurralado pelo cachorro risonho da vizinha, a ordinária, que o soltou para arrepiar a gataria. Pela direita e pela esquerda, o gato não tinha saída, pois o cachorro como uma garota saltitante com seu vestido gracioso pulava de cá para lá, e tudo que via era uma grande treta. Vou perder pelos, tempo de sono e a autoestima de felino - seus últimos pensamentos. Todos os outros gatos se ajuntariam nos outros telhados para lamber suas patinhas fechadas e depois de tanta lambança, ergueriam-as no "Hu! Hu! Hu! Meow! O MMA vai começar!". Canalhas, covardes, independentes. Vou servir de exemplo a todos esses tolos, e eu, tão tolo como eles, andei no caminho do cachorro feliz.
Mas, de repente, maior que o próprio cachorro, a Mulher Maravilha da casa apareceu ao som do miado do já perdedor gato que partiria para a Glória dos Bichanos, pairar sobre nuvens em forma de novelos e pequenos ratinhos. Ah, seria a sua sentença por tanto eliminar ratinhos podres e indefesos e nojentos que não são o Jerry.
- Ôh, menininho, venha aqui... - A Mulher Maravilha pegou-o e o colocou seguro entre os braços poderosos com seus broqueis e foi para a casa, botando o próprio gato no retângulo sofá. O gato sinuoso de vida. A sua aventura termina por aqui. Até a próxima, bicharada...
Pronto, professora. Gostaria muito de te entregar meu texto depois de anos. Foi demorado, eu sei, anos de vida e frio na espinha.
Não me esquecerei que havia uma pedra no meu caminho, na minha escrita havia uma pedra... mas havia um papel quadrado e pautado também, e no Joquempô ganhei no elipsar da mesma folha.
 Vandressa Holanda Gefali

Direto desta geração